terça-feira, 24 de novembro de 2015

Unidade 9 - cap. 2 - Brasil: 20 anos em retrospectiva

Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003)

Nos primeiros quatro anos houve a ampliação do neoliberalismo, principalmente, pela vendas das empresas estatais. (privatização). E por que? Lembrem-se que neoliberalismo = "estado mínimo". A venda das empresas estatais representava a política oposta utilizada por muitos anos no Brasil de amplos investimentos do governo nos setores produtivos, como no período de Getúlio Vargas ou até mesmo de Juscelino Kubitschek. Logo, diversas atividades econômicas devem ser entregues para o setor privado.  Por isso houve a venda da Vale (na época Vale do Rio Doce), uma empresa estatal criada durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas para extrair as riquezas minerais do país. (Uma empresa que não registrava prejuízos.) Os setores setores de telecomunicações, siderurgia e mineração passaram pela privatização e estabeleceu-se em 1997 o fim do monopólio da Petrobras sobre o petróleo. Os defensores das privatizações afirmavam que tratavam-se empresas que davam prejuízos e com a venda delas haveria mais recursos para aplicar em Saúde e Educação e menores gastos do governo. Bem, acho que a sociedade espera a melhoria nessas áreas até hoje.
Ainda no governo Fernando Henrique foi aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal que proibia os governos de gastarem mais do arrecadam. Foram criadas também programas de transferência de renda direta, como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação no qual famílias muito pobres recebiam recursos do governo para complementar a renda. Foi o governo que mais promoveu a reforma agrária (redistribuição de terras) mesmo que discretamente.  

2° mandato - 1999-2002
Por causa do sucesso econômico do país e do controle da inflação Fernando Henrique Cardosos conseguiu a reeleição. Porém, foi necessária a aprovação de uma emenda na Constituição de 1988 que não permitia a reeleição. Surgem nesse período denúncias de compra de votos para a aprovação da emenda constitucional e esse caso de corrupção se juntaria a indícios de irregularidades nas privatizações. 
O 2°mandato foi muito conturbado porque o mundo passou por três crises econômicas internacionais entre 1999 e 2001 e em países que iguais ao Brasil - em desenvolvimento - e praticantes do neoliberalismo estão propensos a sofrer mais com tais crises. Estas crises provocaram o fim da equiparação entre dólar e real e colocou o país em um período de baixo crescimento econômico, com aumento do desemprego e concentração de renda.  Mesmo assim, 2001 é o ano da criação de programas sociais como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Auxílio-Gás  o Cartão Alimentação.
Em 2002 houve a corrida presidencial entre Luís Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB). 

Governo Luís Inácio "Lula" da Silva (2003-2010)
Ao contrário do esperado o governo Lula não alterou a política econômica e manteve o país no neoliberalismo. Porém, com alguma participação e intervenção do Estado (leia Governo Federal). Por outro lado, houve avanço na produção de vagas de empregos, aumento do salário mínimo e avanços em políticas sociais. Os programas criados por Fernando Henrique Cardoso foram unificados no Bolsa Família. O governo também criou políticas como o "Luz para Todos" que levou energia elétrica para milhares de pessoas no país. Foram ampliadas as vagas para estudantes universitários pela rede privada de ensino através do ProUni, assim como foram criadas diversas universidades federais e escolas de ensino técnico pelo país. 
O governo Lula também foi marcado pelo lema "Fome Zero" que buscava reduzir de maneira radical quantidade de pessoas que passavam fome no país e deu resultado. Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou o Brasil do "mapa da fome" no mundo. Deve-se destacar que o Brasil foi reconhecido como um dos países que mais reduziu a pobreza nos últimos anos. Além disso, houve uma aposta muito grande no Etanol. Tipo de combustível renovável obtido através da cana de açúcar presente hoje em posto de abastecimento.
No cenário internacional o Brasil passou a buscar outros contatos e outros parceiros comerciais e reduziu a participação dos Estados Unidos e União Europeia nas trocas comerciais e passou a olhar também para os vizinhos, como Argentina, Chile, Venezuela, dentre outros. Além de estabelecer maior contato com países africanos e com países asiáticos, especialmente a China.

2° mandato (2007-2010)
Lula conseguiu se reeleger mesmo com a revelação do caso do "mensalão" em 2005 que tratava da compra de votos de parlamentares em troca da aprovação de projetos e leis do governo no Congresso Nacional, assim como houve a suspeita no caso da emenda constitucional da reeleição. No segundo mandato o país foi atingido pela crise mundial de 2008 que começou nos Estados Unidos e atingiu a Europa e depois o mundo. A solução do governo para manter algum crescimento e evitar o desemprego foi o incentivo ao consumo pela redução e isenção de impostos para os fabricantes e maior facilidade na obtenção de crédito provocada pela redução das taxas de juros cobradas sobre os empréstimos nos bancos públicos, como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Deu certo e ainda surgiu o que muitos chamam de "nova classe média"
O governo criou também o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que contavam com várias obras para melhorar a infra-estrutura do país e torná-lo mais competitivo e quem ficou a cargo de coordenar as diversas obras por todo país foi Dilma Roussef.

Governo Dilma Rousseff (2011-2014)
A eleição de Dilma para a presidência é um marco na história política do país por se tratar da primeira mulher a assumir o cargo. (Lembre: somos uma república com eleições constantes desde 1889.). O início do mandato foi marcado por ampliação de programas sociais como o "Pronatec" e o "Minha Casa, Minha Vida" e expansão do mercado de trabalho formal. Contudo, o modelo de crescimento baseado no consumo adotado no final do segundo mandato do governo Lula chegou ao fim em 2014, apesar desse mesmo ano registrar o menor índice de desemprego da história do país.
Além disso, o ano de 2013 foi marcado pelas Manifestações de Junho que tinham como pauta inicial a questão dos transportes e mobilidade urbana nas grandes cidades do país, mas após dura repressão policial ganhou cada vez mais e ampliação de reivindicações, como o questionamento aos altos investimentos para os grandes eventos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Unidade 9 - cap. 1 - Os desafios da redemocratização

Governo José Sarney (1985-1989)
Personalidade presente no cenário político até hoje e era um homem de confiança do governo militar que deixava de existir. A ditadura havia acabado, mas era preciso redemocratizar o país. E o que isso significa? E como fazer isso? Através de uma nova Constituição para substituir a existente de 1967. Em 1986 é convocada um Assembleia Constitucional para escrever mais uma Constituição para o país. Em 1988 os debates e a redação do texto estavam concluídos e o texto entrou em vigor. Ela estabelece, por exemplo, as eleições diretas, por escolha popular, para todos os cargos e em dois turnos, se necessário. Transformou os mandatos de 4 para  5 anos, estabeleceu a liberdade de formação de partidos, a liberdade de imprensa e manifestação de pensamento. (Não esqueçam que nada disso acontecia ao longo do regime militar). Agora os meios de comunicação como revistas, jornais e tv's tinham (e tem) total liberdade para escrever, assim como a população pode se expressar sobre diferentes assuntos no país livremente.
Economicamente foram anos complicados para o país, com o registro de inflações altíssimas. Por isso, o governo lançou o Plano Cruzado que estabeleceu a troca da moeda de cruzeiro para cruzado e o congelamento dos preços e salários. O objetivo era deixar os rendimentos e os preços inalterados para reduzir a inflação que, 1989, chegou a mais de 1.000% ao ano. O plano teve obteve sucesso temporário porque após alguns meses passou haver a escassez de produtos em função do congelamento dos preços, pois os estabelecimentos comerciais não disponibilizavam os artigos de consumo porque os preços não se alteravam, mas a inflação sim, fato que levou a uma redução dos ganhos. Como alternativa, surgiu a cobrança do "ágio", ou seja, cobrava-se um preço "por fora" e mais elevado para os consumidores.
Em 1989, houve a disputa presidencial e, nesse momento, tivemos a primeira eleição direta para este cargo em 30 anos. Foram para o segundo turno Fernando Collor e Luis Inácio Lula da Silva. 

Governo Fernando Collor (1990-1992)
     Com 43% dos votos, Collor ganha as eleições e, assim como o governo anterior, tinha como desafio controlar a inflação do país. Imediatamente após a posse, o governo lançou o Plano Collor que estabelecia o retorno do cruzeiro, o congelamento dos preços e salários e o bloqueio das contas-correntes, cadernetas de poupanças e diversas aplicações financeiras. Isto quer dizer que a população tinha acesso restrito ao seu dinheiro. O governo esperava que com menos dinheiro disponível, houvesse a diminuição do consumo e a consequente redução dos preços. 
    Esse governo é marcado pela entrada do Brasil  no Neoliberalismo e no mundo globalizado. Simplificando o neoliberalismo é caracterizado pelo "Estado mínimo" que defende a menor interferência possível do governo na economia, cortar gastos através de privatizações das empresas públicas e de contenção dos recursos. A venda de empresas estatais começaram nesse período e é desse momento também a abertura do mercado brasileiro para empresas internacional.
     Isso marcou a entrada do Brasil no processo de globalização. Isto é, inserir o país em uma economia totalmente interligada com as economias mundiais. No entanto, isso trouxe consequências boas e ruins. Diversas empresas e fábricas não tinham condição de competir com produtos importados e, por vezes, mais baratos que os produzidos aqui. Nesse caso, a forte concorrência entre nacionais e importados ocasionou a falência de diversas empresas e, em decorrência disso, o aumento do desemprego. Nesse cenário econômico, o país registrou recessão entre os anos de 1991 e 1993.
(Lembre, no neoliberalismo o Estado não deve interferir na economia, por isso, não houve qualquer ação por parte do governo para evitar os fechamentos das empresas)

    Em um momento marcado por descontentamento popular por causa do Plano Collor e grandes problemas na economia, surgiram as denúncias de corrupção envolvendo o próprio chefe do governo, fato que ocasionou o impeachment do presidente da República. O que isso quer dizer? O Congresso Nacional votou e aprovou a derrubada de Collor do poder depois da forte mobilização da juventude em um movimento que ficou conhecido como "caras pintadas".
Para concluir o seu governo assume o seu vice: Itamar Franco.
Foi nesse governo, em 1994, que foi criado e posto em prática pelo Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso o Plano Real com o objetivo: acabar com a inflação. O programa teve sucesso porque associou estratégias diferentes das utilizadas até então e pela ampliação da política econômica neoliberal. O plano estabeleceu a restrição da emissão de papel-moeda (dinheiro), a elevação de juros e a equiparação do Dólar com o Real (US$ 1 = R$ 1). Pelo neoliberalismo, ampliou-se os cortes nos gastos públicos, a privatização das empresas estatais e manteve a abertura da economia.
Essas medidas reduziram a inflação, produziram a queda dos preços e possibilitaram o crescimento do consumo. Houve também a forte entrada de importados e a forte concorrência externa e, em contrapartida, altos investimentos em mecanização dos processos de produção das mercadorias.
O Plano Real controlou a inflação no Brasil e foi isso que garantiu a eleição de Fernando Henrique Cardoso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - "Guerra ao Terror" e Primavera Árabe (continuação)

O século XX foi marcado por duas grandes guerras e por uma grande tensão entre os EUA e URSS. Apesar do fim da guerra fria em 1991, os últimos anos do século não seriam sinônimo de paz, assim como o século XXI viveu, até o momento e certo sentido, dias um pouco melhores. A ameaça internacional deixou de ser o comunismo no início dos anos 1990 e, à medida que nos aproximamos dos anos 2000, passou a ser o terrorismo. 
Os Estados Unidos entraram na "Guerra ao Terror" (combate ao terrorismo) a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, realizados pela al-Qaeda de Osama Bin Laden. Os EUA invadiram o Afeganistão em busca da captura de Bin Laden e derrubaram o governo dos fundamentalistas islâmicos do Taleban. A captura e morte do líder terrorista aconteceria apenas em 2011, apesar disso a organização al-Qaeda não deixou de existir. 
Em 2003, os EUA ignoraram a determinação da ONU de não intervenção do Iraque e invadiram o país em busca de supostas armas químicas possuídas pelos país que poderiam ser vendidas para grupos terroristas. Mesmo com a invasão e da derrubada do poder de Saddam Hussein não ficaram comprovadas a existência de vínculos do governante com grupos terroristas, nem a posse de armas químicas ou de destruição em massa. Na verdade, o interesse dos EUA estava no subsolo: petróleo. O Iraque possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e hoje é comandada por diversas empresas do ramo dos Estados Unidos. Vale destacar também que o próprio presidente na época, George W. Bush, tinha relações muito próximas com essas mesmas empresas.
Apesar da ação americana contra o crescimento do terrorismo no mundo, a "Guerra ao Terror" não deu fim ao atentados. Em 2004 foram realizados ações terroristas em Madri (Espanha) e em 2005 em Londres (Inglaterra), dentre outros em diversos países.

Os conflitos entre Palestina e Israel também não foram resolvidos até o presente e foram adicionados elementos que desestabilizam ainda mais a região, como a formação de grupos fundamentalistas islâmicos, como o Hamas da palestina e do Hezbollah, no Líbano, ambos vizinhos de Israel e a recorrente ação de grupos terroristas, como a própria al-Qaeda e do Estado Islâmico, presente em vários países.

Contudo, houve uma novidade a partir de 2010 no mundo árabe. Um movimento iniciado na Tunísia por melhor qualidade de vida, mais liberdades e direitos se espalhou para o Egito e alcançou diversos países, como a Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, dentre outros. Essa fato histórico ficou conhecido como Primavera Árabe. O Ocidente acompanhou as manifestações nesses países principalmente a partir de meios eletrônicos, como o Facebook e o Twitter, utilizados pelos jovens para espalhar suas ideias e seus desejos e para divulgar as ações de repressão dos governos aos movimentos. 
Em todos esses países percebemos diferentes consequência em cada um deles. Apesar de registrar mortes a Tunísia passou por um processo mais pacífico do que os outros e em 2014 conseguiu formar um governo democrático e conciliado com um islã político, além de aprovar uma Constituição com maiores liberdades políticas e mais igualitária. As manifestações no Egito provocaram as primeiras eleições presidenciais em 30 anos. O presidente eleito não conseguiu realizar as mudanças pedidas pela população e por isso, novas manifestações foram registradas e novo presidente foi deposto. Na Líbia houve a derrubada do ditador de Muammar Kadafi e na disputa pelo poder, o país mergulhou em guerra civíl. O mesmo é constatado na Síria do ditador Bashar al-Assad que resiste no poder ao utilizar o aparato militar e policial contra os civis opositores do regime. É o que chamamos de guerra civil.
É isso tudo! : (

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - Fim da Guerra Fria e tensões no mundo árabe

Olá turma,
esse post fecha o conteúdo da prova. É uma parte bem extensa porque, de certa forma, cobriremos acontecimentos de 1947 até 2003.
O livro didático divide os assuntos tratados nesse post, mas eu preferi juntá-los porque eles estão muito relacionados. O cap. 1 da Unid. 8 - trata mais de fatos entre EUA e URSS, assim como o fim da guerra fria e o cap. 2 aborda exclusivamente a questão judaico-palestina. Como já mencionado ambos os caps tem pontos de contato, por isso, fiz em um post e quase em ordem cronológica. Achei que seria mais fácil assim.

Vamos lá!

Nós saímos do Brasil e da ditadura militar e voltamos nossa atenção para acontecimentos mundiais. Estávamos em 1985, mas precisaremos voltar ao tempo para 1947.
Nesse momento o mundo saiu de um dos maiores conflitos já vistos na história, pois em 1945 a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim após a derrota da Alemanha nazista e do lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
É muito conhecida a perseguição e eliminação dos judeus posta em prática ao longo do conflito e a consequente comoção mundial provocada após a descoberta dos campos de concentração espalhados por vários países do continente europeu, dentre eles, o mais conhecido foi Auschwitz, na Polônia.
Dentro desse contexto de fim da guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) justamente para mediar conflitos entre as nações e tentar impedir o surgimento de novos conflitos da mesma proporção da Segunda Guerra. Foi nesse organismo multinacional - porque praticamente todos os países do mundo estão representados na ONU - ganhou força o discurso sionismo que defendia a união de todos os judeus em um Estado.
A região escolhida para a criação desse Estado foi a Palestina, de maioria muçulmana e minoria judaica e sob controle da Grã-Bretanha naquele momento. O lugar é historicamente importante para os judeus antes mesmo da dominação romana, no século II d.C. Em 1947, a ONU aprovou a divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe-palestino e em 1948 foi anunciada a criação do Estado de Israel.
Imediatamente os palestinos e os demais países árabes da região, já insatisfeitos com a divisão de territórios, entraram em conflito com o recém criado Estado. Porém, outras guerras colocaram árabes e judeus em campos opostos, em 1956, houve a Guerra de Suez, em 1967, a Guerra dos Seis Dias e, finalmente, em 1973, a Guerra do Yom-Kippur. Não comentaremos cada uma dessas guerras, mas é importante lembrar uma impactante consequência do conflito de 1973. O que todos esses embates tiveram em comum foi a gradual expansão das fronteiras de Israel sobre território palestino. (Olhem o livro na página 211 para visualizarem isso.) O mais marcante deles foi a ocupação de territórios palestinos por Israel em resposta à ação palestina no Yom-Kippur. Por outro lado, os países árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, dentre outros, aumentaram o preço do petróleo. Essa medida da OPEP ficou conhecida como o choque do petróleo e afetou a economia mundial porque o produto e seus derivados compõem diversos setores da economia e o aumento do preço levou ao aumento dos custos de produção.

Em 1979, o mundo passaria por um segundo choque do petróleo em função da Revolução Islâmica, no Irã. No mesmo ano, os xiitas - uma vertente do islamismo - derrubou o governo de Reza Pahlevi que tinha orientação mais próxima dos Estados Unidos e do Ocidente e em seu lugar foi posto o aiatolá Khomeini que proclamou a República e passou a combater as influências ocidentais no país e se distanciou dos Estados Unidos. Em resposta, os EUA deram apoio militar ao Iraque de Saddam Hussein para combater o Irã. Esse conflito ficou conhecido com Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Em resposta à ação americana a OPEP realizou mais um aumento no preço do produto, o que ocasionou o segundo choque do petróleo.

Por causa desse novo choque, os Estados Unidos no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e a Grã-Bretanha, comandada pela Margaret Thatcher (1979-1990) deram início ao desmonte do Estado de Bem Estar Social que existia desde o final da Segunda Guerra Mundial e iniciaram o neoliberalismo. Essa visão econômica defende a menor participação do Estado na economia e isso se traduziu no fim do controle dos preços pelos governos, a redução de impostos (para os empresários!), menos regulamentação na relação de trabalho, a abertura à investimentos estrangeiros e a venda de empresas públicas (privatização). 

A década de 1980 foi marcada por muitas mudanças no contexto mundial.  No plano econômico ficou constatado a gradual redução do crescimento econômicos nos EUA e Europa e adoção cada maior da política econômica neoliberal. O Brasil - e a América Latina de modo geral - entraram em forte crise econômica sem crescimento e, no nosso caso, com forte alta da inflação. Lembrem-se que eram os últimos anos da ditadura também.

Além de iniciarem o neoliberalismo, os EUA deram início também à nova corrida armamentista com a instalação de mísseis em países europeus que poderiam alcançar a URSS. Foi implantado também o programa "Guerra nas Estrelas", capaz de interceptar, pelo espaço, eventuais mísseis lançados pela URSS contra os EUA. Os soviéticos tentaram acompanhar esse nova corrida com os Estados Unidos, como fizeram nos anos 1950 e 1960, mas os tempos eram outros, e o governo e a economia soviética davam claros sinais de desgaste. Os EUA tiveram sucesso porque eram investimentos feitos praticamente pelas indústrias privadas de armamentos, enquanto na URSS os recursos vinham do Estado cada vez mais em debilitado.

 Foi justamente a situação econômica da União Soviética que motivou mudanças políticas e econômicas durante o governo de Mikhail Gorbachev (1985-1991). O objetivo principal das medidas postas em prática eram modernizar e reestruturar o Estado soviético. No entanto, consequências imprevistas se desenrolaram. Gorbachev colocou em prática a glasnost que previa o fim da censura, a liberdade religiosa e libertação dos presos políticos e o combate à corrupção e dos privilégios entranhada na alta cúpula do governo e também do Partido Comunista. Logo, tratava-se de um programa de abertura política. Ao mesmo tempo foi posta em prática a perestroika que permitia a abertura econômica para empresas e investimentos estrangeiros.
A glasnost e perestroika que buscavam modernizar a URSS acabaram decretando o seu fim. Em 1989, o famoso muro de Berlim, um dos maiores símbolos da guerra fria foi derrubado pelos próprios alemães. No ano seguinte, países como a Polônia e a Tchecoslováquia anunciaram a sua separação da União Soviética e, finalmente, 1991, diversos países declaram-se independentes. Com isso, a URSS chegou ao fim e, ao mesmo tempo a Guerra Fria.
Logo, é possível afirmar que a maior consequência da implantação das glasnost e perestroika foi o fim da União Soviética e ao mesmo tempo, no política externa, o término da Guerra Fria.

continua...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Unidade 7 - Cap. 1 - Os anos de chumbo

Olá olá
turma, nossa matéria de av1 é gigaaaaaaaaaaante. Porque o conteúdo é a Unidade 7 e a Unidade 8, capítulos 1 e 2 + um pequeno trecho do capítulo 3. Este post é apenas da ditadura militar no Brasil (unid. 7), ok?
Tentarei fazer um resumão sobre tudo e é altamente indicado estudar porque aqui mesmo, o livro é muito extenso.

A ditadura militar no Brasil começou em 1964 e se prolongaria até 1985. Recorde que esse período teve início a partir do momento que os militares, motivados pelo discurso de livrar o país do comunismo e da corrupção, deram um golpe contra o presidente eleito João Goulart e seu lugar foi posto o general Humberto Castello Branco (1964-1967). Devemos destacar também para características muito específicas da nossa ditadura, como a manutenção do funcionamento do Congresso pelos quase 21 anos de regime militar e a mudanças de presidentes ao longo de todo esse período. Além disso, existiram ainda os Atos Institucionais (AI). Decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República e que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P).
 Contudo, essas três característica da ditadura eram apenas estratégia daqueles que estavam no comando para dar aparência de uma democracia e disfarçar as perseguições políticas, ideológicas, torturas e desaparecimento dos opositores do regime.

Logo no início desse período, ainda em 1964, foi decreto o Ato Institucional n°1. Antes, recorde que o Ato Institucional, o AI, eram decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P). 
O AI-1 concedia ao presidente o poder de cassar mandatos, suspender a imunidade parlamentar e a estabilidade nos cargos públicos. Já em 1964, através desse ato conseguiu retirar do jogo político diversos opositores de peso. 
Após as eleições de 1965 o governo emitiu o AI-2 por causa a vitória de partidos de oposição em importantes estados do país. O decreto estabelecia a eleição indireta para presidente e o fim dos diferentes partidos políticos - como o PTB, UDN e PSD - e, em seu lugar, surgia o bipartidarismo. De um lado, o partido de apoio à ditadura, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e do outro, a oposição consentida representada pelo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em 1966, foram decretados o AI-3 e 4. O primeiro estabelecia as eleições indiretas para governadores e prefeitos e o segundo ato estabeleceu o fechamento do Congresso e a elaboração de uma nova Constituição redigida por indivíduos que apoiavam a ditadura.
Perceba que aos poucos o regime tornou-se cada vez mais autoritário e mais fechado. Porém, o golpe definitivo aconteceria com o AI-5, em 1968, já na presidência de Costa e Silva (1967-1969). O ato concedia o direito, por tempo indeterminado, do presidente cassar mandatos, fechar o Congresso, suspender direitos políticos e demitir e apontar funcionários públicos. Além disso, suspendeu o direito de habeas corpus (responder processo em liberdade) e a censura prévia.
O AI-5 foi decretado por um desejo de grupos dentro do exército, chamado de "linha dura", para controlar totalmente a política e anular a oposição. Vale lembrar que a luta armada e seus grupos, como o VPR e o MR-8 eram cada vez mais atuantes e, some-se a isso o questionamento ao regime militar da sociedade civil através de protestos, como a passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro.
O AI-5 estabeleceu também, implicitamente, a tortura como método para conseguir informações sobre os opositores políticos através da do Destacamento de Operações e Informações e do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). É importante destacar que a tortura começou logo no primeiro dia de regime militar e o que houve a partir do AI-5 foi a intensificação dessa tática.

Contudo, em 1969, o Brasil entraria no conhecido "milagre econômico" (1969-1973), um período de forte crescimento econômico e inflação razoavelmente controlada. É possível caracterizar esse "milagre" de diversas maneiras. Foi um momento de expansão das possibilidades de bens de consumo, carros e casa própria, principalmente para a classe média através da facilitação ao crédito e das compras feitar por prestação, ao mesmo tempo que ocorria um sensível crescimento de renda para as classe alta e média da sociedade. Os anos do "milagre" também forma marcados pela forte expansão industrial e das gigantes obras públicas, como a construção da ponte Rio-Niterói e a construção da hidrelétrica de Itaipu. Deve-se ressaltar também que houve um aumento da dependência externa e da dívida externa brasileira porque a expansão industrial foi baseada a partir de empréstimos estrangeiros.
Após o choque do petróleo, em 1973, o Brasil viu a sua dívida externa subir consideravelmente, assim como a partir desse fato histórico chegava ao fim o período do "milagre", motivado também pelo aumento do preço do petróleo e em consequência, o aumento dos custos de produção. Com isso, a ditadura perdeu um de seus principais argumentos para se manter no poder.
Em 1974 começou o processo de abertura política e terminaria apenas em 1985. Lembrem que esse procedimento foi classificado como "lento, gradual e seguro". Em 1975, a censura prévia foi suspensa, em 1978, houve a suspensão do AI-5, isto quer dizer que o presidente perdia o poder de cassar mandatos, demitir/aposentar funcionários públicos, dentre outros aspectos e foi restabelecido o pluripartidarismo. O ARENA tornou o PDS (Partido Democrático Social) e o MDB tornou-se o PMDB que ainda reunia todo tido de oposição aos militares. A novidade no cenário político era o Partido dos Trabalhadores (PT). Agremiação de esquerda política surgido a partir da mobilização da luta sindical e figuras populares no ABC paulista, com a liderança de Luís Inácio "Lula" da Silva.

Além da liberação das formação de novos partidos, em 1979, foi decretada a Lei de Anistia que permitia o retorno dos exilados políticos.

Em 1982 foram realizadas as primeiras eleições diretas desde 1965 para os prefeitos e governadores. Em função disso, surgem no final de 1983 e ganha força e adesão popular no início de 1984 o movimento das "Diretas Já". O movimento queria a aprovação do projeto de lei conhecido como "Emenda Dante de Oliveira" que estabelecia a votação direta para a presidência de República, algo que não acontecia desde 1961. A campanha das "Diretas Já" mobilizou a sociedade civil diversas vezes ao longo de 1984 e em diversos estados brasileiros, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto foi votado no Congresso Nacional e não obteve o número de votos necessários para sua aprovação, logo, as eleições presidenciais seriam mais uma vez indiretas.

 Nesses eleições saíram vitoriosos Tancredo Neves, como presidente da República e José Sarney, como vice-presidente. Com isso, o poder deixava de ser dos militares e voltava para os civis e, assim, estava concluído o processo de abertura política conduzido pelos próprios militares.

É isso
Ufa!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Unid 6 - Cap. 1 e 2 - A Guerra Fria e Independência da Ásia e África

Olá turma
A prova trará os conteúdos dos capítulos 1 e 2 da unidade 6, ok?

Fiz uma cronologia no final porque apareceram muitos anos, mas não se preocupem, eles não serão cobrados na prova.

    O capítulo 1 trata do início da Guerra Fria (1947) e do constante reequilíbrio de forças entre Estados Unidos e União Soviética, as duas superpotências que disputariam a supremacia econômica, política e diplomática por todo o mundo ao longo de quase todo o século XX (1947-1989). Após a guerra a Europa perde sua hegemonia política, e por isso, ambas as potências comandaram a formação de dois blocos antagônicos, o capitalismo representado pelos Estado Unidos e o socialismo pela União Soviética.
    Recordem que esse fato histórico que cobre praticamente todo o século XX recebeu esse nome porque nunca houve um enfrentamento direto entre EUA e URSS. Existiram sim, momentos de maiores tensões entre ambos que quase resultaram em enfrentamento. Porém, os combates eram travados em outros países em função da disputa por espaços de influência ou apenas por um intenso debate ideológico.
    Como já apontado acima a Guerra Fria teve início no ano de 1947 quando, o então presidente dos EUA, Harry Truman defendeu a necessidade de combater o socialismo pelo mundo e deter o seu avanço. Chegava ao fim da aliança entre Estados Unidos e URSS estabelecida durante a guerra para lutar contra a Alemanha nazista. O socialismo encontrava um campo fértil para sua aceitação logo no pós-guerra em razão da intensa destruição e falta de estrutura provocada pelo conflito e, além disso, praticamente todo o leste europeu entrou sobre domínio soviético após 1945.
     Para conter maiores avanços da URSS, os Estados Unidos ainda em 1947 lançam o Plano Marshall, um programa de ajuda econômica para a reconstrução dos países europeus. Pouco tempo depois, em 1949, os EUA formaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar que estabelecia apoio mútuo em caso de ataque soviético. A URSS, por sua vez, também montou um plano de ajuda econômica e aliança militar entre países sobre sua influência. Pelo lado da economia foi lançada, em 1949, o Conselho de Assistência Econômica Mútua (COMECON) que previa a integração (ligação) econômica e incentivo do comércio interno entre os países sob domínio soviético e o Pacto de Varsóvia (1955) estabelecia a aliança militar entre os países europeus sobre influência socialista aos mesmos moldes da OTAN.

Em resumo:
Para o lado dos EUA:

OTAN: aliança militar entre países sob influência capitalista
Plano Marshall: ajuda econômica dos EUA para a reconstrução da Europa (países como Alemanha, França e Inglaterra)

Para o lado da URSS

Pacto de Varsóvia: aliança militar entre URSS e países europeus sob sua influência
COMECON: integração econômica entre os países sob influência socialista


Conforme já mencionado diversas vezes o conflito entre EUA e URSS foi muito mais ideológico do que um confronto direto e quando esses conflitos aconteciam, eles se desenrolavam em regiões periféricas do mundo e sempre com características em comum, isso quer dizer, a disputa por zonas de influência e equilíbrio de forças. Foi assim com a Guerra da Coreia (1950-1953) ou a Guerra do Vietnã (1965-1975), além de várias interferências militares dos Estados Unidos sobre outros países.
    Pelo lado europeu, a manutenção na influência capitalista americana ocorreu através do Plano Marshall e da OTAN porque o mundo passou por uma significativa expansão do regime socialista exemplificada por todo o leste europeu em 1945, a China por meio da Revolução Chinesa em 1949 e a tentativa da Coreia do Norte de expandir sobre a Coreia do Sul em 1950. Por fim, os EUA seriam obrigados a conviver com um governo socialista tão perto do seu próprio território porque Cuba buscou apoio soviético em 1961, para manter a sua revolução nacionalista iniciada em 1959.

Sobre nacionalismo
Por quase metade do século XX ainda existiam no mundo várias colônias, seja na África ou na Ásia. Após as guerras mundiais, principalmente a segunda, o discurso nacionalista de libertação colonial ganharia muito mais força e adeptos nas diversas regiões sobre domínio europeu. Além disso, é importante também destacar como causas do crescimento do nacionalismo e consequente descolonização o discurso de autodeterminação dos povos defendido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e o alto desgaste promovido pela guerra.
A Índia, por exemplo, um dos casos mais famosos de luta pelo fim do controle colonial no início do século XX e a obteria em 1947, com destaque para a liderança de Mahatma Gandhi, defensor de um processo de independência baseada no princípio da não violência, construído, por exemplo, a partir do não consumo dos produtos ingleses ou não pagamento de impostos. O continente africano até os anos 1960 passará também por um intenso processo de descolonização e serão formados praticamente todos os países entre a década de 1950 e 1960, exceto Angola e Moçambique, inseridos em um contexto específico com relação a Portugal. 

Há o caso também da África do Sul. Porém, a luta dos sul-africanos não foi para obter a independência, mas sim para superar o regime do apartheid que estabelecia a segregação espacial entre negros, maioria da população, e os brancos. Essa reivindicação ganharia força nos anos 1950, mas chegaria ao fim somente em 1992 em função da forte pressão interna da própria população e a pressão externa de outros países e do consequente isolamento diplomático que a África do Sul vivia em razão da manutenção da segregação estabelecida por lei. Apenas em 1994 houve a primeira eleição presidencial com o direito de participação de toda a sociedade sul-africana e Nelson Mandela foi consagrado nas urnas, a figura mais proeminente da luta pelo fim do apartheid, e tornou-se o primeiro presidente negro a governar o país.

Devemos retornar ao panorama do mundo nesse contexto: a Guerra Fria. Os EUA e a URSS viam esses novos países que passavam pela libertação colonial como novos espaços para garantir zonas de influência e como os conflitos indiretos aconteceram (e aconteciam) nas regiões periféricas, alguns países buscavam uma posição neutra entre as duas superpotências através da política de não alinhamento. O não-alinhamento foi lançado na Conferência de Bandung, em 1955, na Indonésia e, inicialmente reuniu países como a Iugoslávia, o Egito, a Índia e a Etiópia. Posteriormente, outros países aderiram a esse posicionamento também. Além desse posicionamento independente o não-alinhamento também tinha como pauta o combate ao colonialismo e a recusa aos pactos militares.

Cronologia

Guerra Fria (1947-1989)

1947: lançamento do Plano Marshall
1947: independência da Índia
1949: formação da OTAN
1949: Revolução Chinesa
1949: lançamento da COMECON
1950: Guerra da Coreia (1950-1953) 
1955: Pacto de Varsóvia
1955: Conferência de Bandung e a política do não alinhamento
1959: Revolução Cubana
1965: Guerra do Vietnã (1965-1975)
1992: fim do apartheid
1994: eleição de Nelson Mandela na África do Sul

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Unidade 5 - Cap. 2 - Redemocratização (continuação)

Governo Juscelino Kubitschek (1955-1960)

A vitória de JK representa mais uma vez o sucesso da coligação entre o PTB e o PSD. 
O grande lema de campanha foi o "50 anos em 5" que se traduzia em 50 anos de progresso em 5 anos de mandato. É nítida desde o início a preocupação e o foco do governo em manter e aprofundar a política desenvolvimentista iniciada desde o Estado Novo. 
Rapidamente o governo colocou em prática o "Plano de Metas" e manteve o lema do "50 anos em 5". O "plano" tinha por objetivo promover um rápido desenvolvimento em alguns setores selecionados e, em razão disso, alguns deles ficaram sobre controle do estado, como o petróleo, a eletricidade e a siderurgia (setores de energia e a indústria de base). Outros foram abertos ao capital externo e foram oferecidas facilidades para empresas estrangeiras abrirem fábricas e indústrias no Brasil. (Chegaram ao país muitas montadoras, como a Volkswagen, a General Motors e a Ford).

*o nome desse modelo de desenvolvimento ficou conhecido como nacional-desenvolvimentismo. Trata-se de uma política econômica voltada para a industrialização com participação do Estado e também de empresas privadas nacionais e presença do capital estrangeiro.

É dessa época também a construção de Brasília e a transferência da capital do Rio de Janeiro para o centro-oeste do país. E quais eram os objetivos por trás dessa decisão? Um deles era a redução da pressão política sempre presente enquanto a capital esteve no RJ. Por outro lado, colocar a capital do país atendia também ao projeto desenvolvimentista do governo porque foi obrigatória a integração (ligação) da principal cidade do país com as demais regiões, movimentando, então, várias indústrias e fábricas. 

Ao mesmo tempo que houve um forte crescimento econômico e industrial, o país começou a dar sinais de crise. O desenvolvimento trouxe um agravamento do quadro inflacionário existente desde o governo Vargas. Além disso, houve o aumento da dependência externa e da dívida externa brasileira em função dos vários empréstimos efetivados pelo país com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para colocar em prática o plano desenvolvimentista. 

Governo Jânio Quadros (1961)

Houve uma tentativa de emplacar mais um candidato da costumeira coligação PTB-PSD mas dessa vez não houve êxito porque ambos os partidos encontravam-se com relações desgastas por mudanças de direcionamento políticos de ambos. 
    O breve governo de Jânio Quadros (PTN e com apoio da UDN) tentou contornar a crise econômica que se desenhou no fim do governo JK e se agravou ao longo dos 7 meses de Quadros no poder, como a desvalorização da moeda (dinheiro) brasileiro, corte (redução) de gastos públicos e dificuldade no acesso ao crédito (empréstimo). Apesar das medidas, não houve sucesso na contenção do aumento dos preços, ocasionando diversas paralisações e a insatisfação popular.
    Não podemos esquecer também que o governo teve uma postura bastante singular no que diz respeito à política externa por causa da retomada das relações com a União Soviética, a abertura de relações comerciais com a China comunista, a crítica à tentativa invasão dos EUA em Cuba e a condecoração de Ernesto "Che" Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana. E qual é a grande questão? O mundo ainda vivia a "guerra fria", mais do que isso, foi um dos momentos mais tensos desse longo período histórico porque existia a real possibilidade de um confronto direto entre EUA e URSS. É certo que o Brasil não deixaria de viver esse enorme tensão mundial. Quanto maior o atrito entre ambos, maior seria o combate o que era considerado "comunismo". Logo, adotar uma política externa tão independente (em relação aos EUA), não agradaria aos setores conservadores da sociedade brasileira e ocasionou fortes críticas ao governo, assim como a perda de apoio político.
    Como mencionado, 7 meses após eleito, Jânio Quadros renuncia ao cargo diante de um alto desgaste pelo insucesso econômico e pela política externa.

Governo João Goulart (1961-1964)

Como já havia acontecido com o suicídio do Vargas, assume o vice-presidente, como previsto na Constituição. 
    Naquela época o vice-presidente era João Goulart. Sim, aquele mesmo ministro do Trabalho de Getúlio Vargas em 1954. Jango (apelido de Goulart) sempre foi visto como o herdeiro político de Vargas, ou seja, alguém que continuaria a política varguista. Além disso, Jango sempre foi acusado de trabalhista, pela sua proximidade com os trabalhadores ou de comunista por ter forte preocupação no apelo das demandas populares. Perceba que nesse momento histórico do país esses assuntos eram tratados como sinônimos.
   Na época da renúncia da Jânio Quadros, João Goulart estava na China (comunista) para conhecer a reforma agrária que os chineses estavam colocando em prática. Na sua ausência, o país dividiu entre os favoráveis e os contrários a sua posse. O impasse foi resolvido pela adoção do parlamentarismo porque nesse modelo de governo quem governa é o primeiro-ministro e não o presidente. Na prática a adoção do parlamentarismo foi uma estratégia adotada pelos setores conservadores do Congresso para impedir a posse imediata de João Goulart.
    Jango exerceria o poder de fato a partir de 1963 após o plebiscito para decidir sobre a continuação do parlamentarismo ou retorno ao antigo modelo presidencialista. Após a consulta popular, Goulart assume o poder e o governo busca lançar o programa de "Reformas de Base", como a reforma agrária, reforma urbana, ampliação dos direitos trabalhistas para os trabalhadores rurais, ampliação dos direitos de voto, controle da remessa de lucros das empresas, nacionalização de empresas, dentre vários outros aspectos. É claro que esse programa não agradou os setores conservadores em um sociedade que vivia um crise econômica, alta inflacionária e inserida em um mundo bipolarizado entre EUA e URSS.
Setores empresariais, militares, latifundiários, políticos conservadores acusavam o governo de comunista. Ao mesmo tempo, já se faziam ouvir vozes em favor da derrubada do presidente da República. Goulart tentou aprovar as "Reformas de Base" pelos meios institucionais através da aprovação pelo Congresso e não obteve sucesso. Diante desse cenário Jango adotou como estratégia adotar as medidas das "Reformas de Base" por meio de decretos anunciados em comícios. No primeiro e, único, em 13 de março de 1964, foi anunciado a desapropriação (tomada) de algumas terras.
Dias depois foi organizada em São Paulo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Reunia a classe média e a elite paulistana para pedir o fim do governo considerado como "comunista".
Na noite de 31 de março de 1964 houve a mobilização dos militares com apoio da classe média e do Congresso brasileiro para a derrubada de João Goulart da presidência da República.

O Brasil dormiu na democracia e acordou em uma ditadura militar.

Unidade 5 - Cap. 2 - Redemocratização (1946-1964)

Olá!
Relembrando
conteúdo da avaliação: Toda a Unidade 5, ok?

Esse post abordará os sucessivos governos existentes no período democrático, assim como suas principais ações. Segue a lista:
Governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1950)
Governo Getúlio Vargas (1951-1954)
Governo Juscelino Kubitschek (1955-1960)
Governo Jânio Quadros (1961)
Governo João Goulart (1961-1964)

Por ordem
Com o comprometimento de Vargas, ainda nos tempos de Estado Novo, com o fim da ditadura, liberou-se a formação partidária e, necessariamente, de caráter nacional. Surgiram-se então 4 grandes partidos, sendo que 3 deles dominariam o cenário político internacional. São eles:
PTB: Partido Trabalhista Brasileiro - tinha suas bases sociais nos sindicatos e no funcionalismo público, logo tinha identificação com os trabalhadores. Muito próximo de Getúlio Vargas.

PSD: Partido Social Democrático
Reunia a burguesia industrial favorável ao nacionalismo econômico posto em prática pelo Estado Novo. Identificado com parte das antigas oligarquias existentes desde a Primeira República. Também nutria simpatia pela figura de Vargas.

UDN: União Democrática Nacional
Considerados de direita, era um partido de oposição ao varguismo. A articulação entre os políticos da UDN teve início antes mesmo do fim da ditadura estado-novista e foram importantes para impor o término desse regime.

PCB: Partido Comunista do Brasil
O partido foi formado em 1922, mas foi posto na ilegalidade em 1935 pelo governo Vargas antes mesmo do Estado Novo e seria reorganizado em 1945 com a abertura política. Era um partido que desde a sua fundação tinha uma orientação de programa muito clara e o único comprometido com o socialismo.

Governo Dutra (1946-1950)
Na corrida presidencial, a coligação PTB-PSD ganhou as eleições e foi eleito Eurico Gaspar Dutra para presidência. Vargas declarou apoio político à ele, fato que colaborou consideravelmente para o sucesso eleitoral. 
O que devemos ter atenção nesse governo é o contexto no qual ele está inserido. Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) a Europa estava arrasada e despontavam como protagonistas no cenário mundial os Estados Unidos e a União Soviética. Em breve, o mundo entraria em um período da história denominado de "guerra fria" que, em resumo, se tratava de uma disputa ideológica e de territórios entre o capitalismo e o socialismo. Logo, diante do tensionamento das relações entre EUA e URSS o mundo passou a ter dois polos de poder e influência. Por isso, fala-se em mundo bipolar durante parte da "guerra fria".
Diante desse cenário, os diferentes países precisavam se posicionar entre um desses polos. O Brasil se aliou aos Estados Unidos. E o que isso implicava? Se situar ao lado dos americanos na "guerra fria" era se comprometer com o combate e a perseguição ao "perigo comunista". Exemplo disso, foi o rompimento das relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética, assim como a cassação do registro do PCB e de todos os seus políticos eleitos democraticamente. Ambas as ações demonstram o alinhamento do Brasil com a política de afastamento e combate ao comunismo.
Por hora, isso é uma das principais características do governo Dutra.

Governo Getúlio Vargas (1951-1954)
Desse vez Vargas volta ao poder pela via democrática: eleito pela sociedade.
O seu governo marca uma forte retomada da política econômica adotada no período do Estado Novo. Exemplo disso foi o forte investimento do governo na industrialização buscando alcançar a independência econômica através do capital (dinheiro; investimento) nacional e do controle dos recursos naturais, como a criação da Petrobras e o monopólio na exploração e refino do petróleo.

    A oposição da UDN foi extrema desde o início do governo porque os udenistas discordavam desse nacionalismo econômico posto em prática pelo governo Vargas. Some-se a isso um cenário político e social que se deteriorou ao longo do mandato de Getúlio, pois em função do desenvolvimento econômico a inflação (aumento dos preços) tornou-se cada vez mais forte. A alta inflacionária atinge diretamente os trabalhadores, ou seja, a base de sustentação política do então presidente. Por isso, as greves tornaram-se cada vez mais frequentes.
   Para tentar resolver essa situação, Vargas nomeou João Goulart para o Ministério do Trabalho na tentativa de contornar a delicada relação com os trabalhadores porque o novo ministro tinha uma ligação muito próxima com esse setor econômico. Já na década de 1950 havia uma confusão entre a política trabalhista e a proximidade com o comunismo porque ter pautas a favor da classe trabalhadora podia ser visto como sinal de uma tendência à essa vertente política de esquerda. Em razão disso, a medida de Goulart de tentativa aumento de 100% do salário mínimo (1954) foi muito mal recebida pela elite industrial do país e aumentou as vozes de oposição representada pela UDN e por Carlos Lacerda.
    Lacerda era um jornalista e político pela UDN e uma das principais de vozes de oposição ao governo Vargas e, por ser proprietário de um jornal, conseguia veicular e divulgar amplamente suas ideias. Além disso, outros setores da sociedade não apoiavam o governo como parte dos militares e empresários, seja pela (improvável) proximidade política com o comunismo ou pela política econômica nacionalista.
    Um novo acontecimento ocasionará um desfecho trágico para o governo em um cenário já delicado, seja pelo lado social motivado pela alta inflacionária e o consequente aumento de críticas dos trabalhadores, seja pela oposição política e econômica da UDN e de parte do militarismo e do empresariado: o atentado contra Carlos Lacerda. (Novamente: a principal figura de oposição ao Vargas)
O jornalista não morreu, mas o fato ocasionou uma crise no governo porque as investigações apontaram que o autor do atentado foi uma pessoa extremamente próxima de Vargas. Em função da crise houve a perda de sustentação política do presidente.
Pressionado para renunciar, Getúlio Vargas tomou uma medida radical: suicidou-se com um tiro no peito.
Houve uma comoção nacional e o povo foi às ruas demonstrar o sentimento que tinha ao governante e também destruir os jornais de oposição como "O Globo" e o "Tribuna da Imprensa" (propriedade de Carlos Lacerda).
Como o cargo executivo estava vago, assume o vice-presidente Café Filho e, como estava previsto, foram realizadas novas eleições em 1955.


domingo, 23 de agosto de 2015

Unidade 5 - Capítulo 1: Estado Novo (1937-1945) - continuação

O Estado Novo foi uma ditadura instaurada a partir de um golpe político em função de uma suposta ameaça comunista ao poder de Vargas. Logo após a decretação do Estado Novo, Getúlio decretou o fim dos partidos políticos, o fim da representação democrática, a suspensão das eleições e suprimiu a autonomia dos estados. 
Será colocado em prática um Estado interventor. Seja em assuntos políticos, seja em assuntos econômicos. O Estado Novo é conhecido por planejar o direcionamento da economia, da produção e no controle dos trabalhadores.
Mas lembrem, ditaduras não se mantém apenas pela força. Por isso, foi montado o Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP. Responsável pela censura e controle de informação de todos os meios de comunicação e culturais, como rádio, imprensa, teatro, dentre outros. Ao mesmo tempo, tinha função de elaborar propagandas de convencimento enaltecendo a figura de Getúlio Vargas e os feitos do Estado Novo.
     É durante o Estado Novo que a industrialização ganhar força o projeto do governo para esse setor tinha por objetivo conquistar a autossuficiência, defender os recursos naturais através da nacionalização do petróleo, por exemplo, e diversificar a produção econômica brasileira. Note que o Estado brasileiro atuou no sentido de desenvolver uma indústria de base para a produção de bens de capital. Exemplo disso é a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). 
     A partir dessa política de industrialização podemos abordar a relação com os Estados Unidos, a entrada no Brasil na Segunda Guerra Mundial e o próprio fim da ditadura estado-novista. Essa ligação de diferentes temas se dá seguinte forma. A CSN foi construída a partir de empréstimos dos EUA em troca de uma aproximação política com os americanos. Ao mesmo tempo, o Brasil tinha relações estreitas com a Alemanha nazista, sejam elas por questões comerciais ou por afinidades ideológicas. O distanciamento entre ambos os países ocorrerá a partir do esforço americano de trazer o Brasil para sua órbita de influência, em razão do ataque japonês à Pearl Harbor e pela consequente entrada dos EUA na guerra. 
     No início de 1942 o Brasil rompe relações diplomáticas com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em função da pressão americana e, em decorrência dessa atitude, a Alemanha bombardeou embarcações brasileira. Em pouco tempo a opinião pública pressionou o governo Vargas para declarar guerra ao Eixo. A entrada do Brasil no conflito ocorreu em outubro de 1942 e a sua participação foi importante na Itália pela ação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ou pela Força Aérea Brasileira (FAB), ambas treinadas pelos Estados Unidos.
     No entanto, a entrada do Brasil na guerra ao lado dos países aliados criou uma contradição sem solução para o Estado Novo. Afinal, o país enviou tropas para lutar pela democracia e contra um regime (o nazifascista) que nutria muita simpatia e semelhança. As vozes de oposição, mesmo com a censura, eram cada vez maiores e a continuação do Estado Novo parecia inviável. Vargas então anuncia novas eleições, a anistia (perdão) aos presos políticos e a liberação para a formação dos partidos políticos. Ao mesmo tempo surge o movimento queremista - "Queremos Getúlio" - para fazer a transição ao regime democrático. Com isso, a oposição política considera que existe a real possibilidade de, em caso Vargas, conduza o processo de retorno à democracia haja a possibilidade de sua permanência no poder. Então, é organizado um golpe para depor Getúlio Vargas do poder.
Assim é o fim do período conhecido como a Era Vargas.

Unidade 5 - Caítulo 1: Era Vargas (1930-1945)

Olá turma

Conteúdo da avaliação
Unidade 5: Capítulo 1 e 2

O primeiro capítulo aborda os 15 anos do governo de Getúlio Vargas. Lembrem-se do cuidado que precismos ter é sobre os diferentes momentos dos 15 anos de Vargas no poder. 
Os períodos são:
I) 1930-1933 - Governo Provisório
II) 1934-1937 - Governo Constitucional
III) 1937-1945 - Estado Novo

Cuidado! Não confundam a duração do Estado Novo com todo o período de Getúlio Vargas no poder.

E como se dá o início do governo Vargas?
Bem, precisamos voltar à 1929. Ao iniciar a corrida presidencial naquele ano, o então presidente Washington Luís deveria indicar um sucessor mineiro e obedecer à "política do café com leite". Ao romper com essa política e declarar apoio a um candidato paulista  e a oligarquia mineira selou uma aliança com o Rio Grande do Sul, formando a Aliança Liberal e lançou como candidatos Getúlio Vargas (RS) para a presidência e João Pessoa (PB) para a vice-presidência. A AL reunia oligarquias descontentes com a manutenção de São Paulo no poder político e abrigava também os antigos "tenentes" que defendiam um governo mais forte e centralizador que realizasse maiores investimentos na industrialização do país. Recordem que o Brasil ainda é um país predominantemente agrário e dependente da exportação de café, nosso principal de produto de vendas naquela época. Estamos falando também do contexto da crise de 1929 e a consequente retração econômica mundial, como os EUA entraram em crise e reduziram as compras de café, o Brasil foi arrastado para a crise econômica. Em razão dessa situação de dependência agrária e crise econômica ganharam força as vozes que desejavam desenvolver a industrialização do país, como a dos "tenentes"  
Realizadas as eleições o candidato paulistano ganha o pleito. No entanto, meses após a vitória haverá uma reviravolta política em razão do assassinato do vice de Vargas, João Pessoa. O crime foi motivado por razões pessoais, mas em decorrência do conturbado contexto, foi manipulado no sentido de adquirir contornos de um atentado político. A partir disso surgiu a mobilização das forças armadas para a organização e deposição do presidente Washington Luís através de um golpe. 
Realizado o golpe o poder foi entregue à Getúlio Vargas e, teve início então, o governo provisório

Governo Provisório (1930-1933)
Logo que assumiu o poder Vargas decretou a dissolução do Congresso Nacional, a suspensão da Constituição e destituição (retirada) de todos os governadores eleitos e nomeou interventores para governar os estados. Os interventores eram figuras políticas ligada diretamente à Getúlio Vargas e, portanto, eram pessoas necessariamente afinadas e aliadas à política que o novo presidente buscava implementar. 
A grande questão é que Vargas no poder representa uma perda de poder político de São Paulo na determinação dos rumos que o país deveria tomar. Lembrem-se que SP já tinha grande influência no Brasil em função da enorme produção do café e isso remonta desde os últimos anos do Império. Some-se a isso as sucessivas perdas econômicas acumuladas em função do aumento do estoque de café e queima de estoque. 
A política de intervenção, a perda de poder político e a crise do café montam o cenário do levante paulista de 1932, também conhecido como Revolução Constitucionalista. De início, porém, o estado realizou alguns protestos defendendo a realizações de novas eleições, a convocação da Assembleia Constituinte (para redigir a nova Constituição o retorno da autonomia estadual e a nomeação de um interventor civil e paulista. Contudo, a situação mudou quando jornais anti-Vargas foram atacados e ocorreu a morte de quatro manifestantes em São Paulo em um dos protestos. 
A indignação do estado tornou-se uma guerra civil e mobilizou por três meses praticamente toda a sociedade paulista. Mesmo assim, não houve vitória no conflito direto com o governo.
Por outro lado, o governo Vargas percebeu a necessidade da elaboração da Constituição. Em 1933, houve a formação da Constituinte e em 1934 o texto foi votado. A Carta Magna trazia algumas novidades em relação ao documento anterior como:
- estabelecimento do ensino primário, gratuito e obrigatório
- incorporação das leis trabalhistas: jornada de 8 horas, proibição do trabalho para menores de 14 anos e
 férias remuneradas
- estabelecimento do voto secreto e obrigatório (com a permissão do voto das mulheres)

A partir do retorno da normalidade democrática desenvolveu-se a participação política da sociedade. Expressão disso foi a organização da AIB (Ação Integralista Brasileira) e a ANL (Ação Nacional Libertadora). A AIB, de inspiração fascista, tinha como características a crítica à representação política democrática e a formação partidária, o nacionalismo extremado e a rejeição ao comunismo. A ANL era o extremo oposta da AIB porque representava a esquerda política de inspiração socialista e tinham um caráter mais popular, com objetivo de reformar a sociedade e anti-imperialista (contrários à aproximação entre EUA e Brasil, por exemplo)
Em pouco tempo a ANL foi posta pelo governo na ilegalidade e seus integrantes perseguidos. Em 1935, descobriu-se a ligação entre a organização e o movimento de tentativa comunista da derrubada de Vargas no poder, conhecido como "Intentona Comunista" e, teve como consequência, a decretação do estado de sítio (suspensão temporária de direitos e garantias individuais com a transferência de amplos poderes ao presidente). Esse estado de sítio se estendeu de 1935 até meados de 1937 baseado na justificativa do fortalecimento do regime e da "ameaça comunista". 
Em 1937, o governo anunciou ter descoberto um suposto plano internacional comunista para a tomada do poder: o Plano Cohen. Esse texto foi utilizado pelo governo Vargas como pretexto para dar um golpe e criar a ditadura do Estado Novo

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Unidade 4 - Capítulo 2 - Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Parte 2 do conteúdo.

A Europa entre as guerras é marcado por um cenário de avanço de ideias conservadoras e a consolidação de governos totalitários como o fascismo e o nazismo. No entanto, para compreendermos a eclosão da Segunda Guerra precisamos olhar para as ações da Alemanha nazista e de Adolf Hitler.

Assim que chegou ao poder Hitler desconsiderou o Tratado de Versalhes a passou a reorganizar todo o exército alemão, assim como remilitarizou a fronteira com a França. Ambas as medidas eram proibidas pelo acordo diplomático. Porém, as ações bélicas do chefe político alemão não cessaram. Em 1938, é posta em prática a política do "espaço vital" alemão que estabelecia a anexação de territórios considerados essenciais para a sobrevivência alemã. O primeiro lugar anexado (sem protestos) foi a Áustria. No mesmo ano, a Alemanha expande seus domínios para a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, fronteira com o território alemão. 
Nesse momento há a movimentação da Inglaterra e a França para conter o avanço alemão e manter a "política de apaziguamento". O objetivo dos ingleses e franceses era evitar que uma guerra explodisse novamente porque estava muito vivo na memória de todos o horror que foi o conflito anterior, assim como a debilidade de recursos do mundo. (Lembre: a crise de 1929 ainda tem efeitos no final da década de 1930). Então, a Conferência de Munique reuniu os líderes ingleses, franceses e alemães para conceder a região da Tchecoslováquia e Hitler se comprometeria a não anexar outras regiões. Em 1939 a Alemanha nazista dominou todo o território da Tchecoslováquia. A senha para a eclosão do conflito aconteceu quando houve a invasão alemã na Polônia. Com isso, a Inglaterra e a França declararam-se em guerra contra Alemanha. Aos poucos, outros países aderiram ao conflito.

Iniciado o conflito a Alemanha dominou diversos territórios devido ao sucesso da guerra-relâmpago, o blitzkrieg. Consistia em um forte ataque em uma região para rápido controle, desse modo praticamente toda a Europa foi dominada pelos exércitos alemães, inclusive a França, já em 1940. Ainda nesse mesmo ano a força aérea alemã realizou um enorme e longo bombardeio sobre Londres para forçar a rendição dos ingleses. Porém, a queda britânica não ocorreu e Hitler passou a olhar para o outro lado, especificamente a União Soviética. 
Ignorando o tratado de não agressão assinado com a URSS antes mesmo do início do conflito, Hitler direciona suas forças contra Stalin em 1941. Os alemães avançaram até Leningrado (hoje São Petersburgo) mas o exército russo aplicou da mesma tática utilizada contra a invasão de Napoleão: a terra arrasada. À medida que recuavam, os russos destruíam tudo que pudesse oferecer suprimentos ou abrigo para o exército alemão para desgastá-lo. Além disso, havia o rigoroso inverno russo que vitimou vários combatentes. O combate entre soviéticos e alemães se estendeu até 1944. Após a vitória soviética o exército tinha ordens para avançar até Berlim, capital alemã. 
Nesse tempo, os Estados Unidos já haviam entrado no conflito (1941) em função do ataque japonês nas bases americanas de Pearl Harbor (Hawaí) feito em resposta ao bloqueio comercial imposto pelos EUA ao Japão, no Oriente. Em junho de 1944 era executado o "Dia D", dia do desembarque das forças aliadas na Normandia (norte da França) para expulsar o exército alemão. Com isso, a desgastada Alemanha se viu em duas frentes da batalha, no lado ocidental contra EUA e Grã-Bretanha e do lado oriental a URSS. A partir do avanço soviético o mundo teve certeza da implantação da política de "solução final" aplicada contra os judeus nos campos de concentração.
A derrota alemã viria apenas em 1945 com a invasão do exército soviético em Berlim e, posteriormente, com a chegada das forças ocidentais. Assim, estava terminada a guerra...na Europa.

O Japão ainda não havia se rendido. A solução encontrada pelos Estados Unidos foi utilizar as novas armas desenvolvidas em segredo: as bombas atômicas. Diante da resistência japonesa os exército americano considerou que lançar utilizar o novo armamento daria um fim definitivo ao conflito e haveria a economia de recursos e a vida de combatentes seriam poupadas. 
As cidades de Hiroshima e Nagasaki foram completamente destruída e boa parte da população morreu. Aqueles que não faleceram tiveram que conviver com os efeitos da radiação nos seus corpos.
Entramos então na era atômica! 
A possibilidade de uso das bombas atômicas marcariam praticamente todo o século XX e foi um recado direto de demonstração de força para o maior rival dos Estados Unidos naquele momento, a URSS.
Mas isso é assunto para depois...

Bom estudo queridxs!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Unidade 3 - Brasil nos anos 1920

Esse é bem mais rápido
Lembrem: Av1 - Unidade 3 - cap. 1 e 2

Industrialização

O american way of life e seus objetos de desejo de consumo também chegam ao Brasil, principalmente, para a elite econômica. Nos anos 1920 o Brasil iniciou, mesmo que discretamente, a sua industrialização muito em função da guerra e os personagens envolvidos conflito estavam mais preocupados em aniquilar um ou outro do que a comercializar com outros países. Mesmo assim, o Brasil ainda é uma país rural e agrário, quer dizer, a produção do campo é extremamente importante para a nossa exportação e abriga a esmagadora maioria da população brasileira naquele contexto.

A década de 1920 é repleta de acontecimentos importantes e de novidades. É também nessa década que a Primeira República começou a dar sinais de esgotamento. Exemplo disso

Tenentismo
Movimento composto por setores do Exército que questionavam o fisiologismo da política brasileira, como o coronelismo e o voto de cabresto. Dois acontecimentos envolvendo os tenentistas ficaram muito conhecidos: o 18 do Forte de Copacabana e a Coluna Prestes. 
A Coluna Prestes ou Coluna Prestes-Miguel Costa percorreu o interior do país do centro-oeste até o nordeste com o objetivo de questionar aquela política oligárquica extremamente fraudulenta, violenta e baseada na troca de favores. 

Modernismo
Essa parte aparece apenas no final da unidade. Vocês estudarão esse tema novamente com algumas informações.
O objetivo do Modernismo é valorizar o que se considerava nacional e pensar quais eram as características da nacionalidade. "O que era ser brasileiro?" ou "Quais são as características que definem a cultura brasileira?" são perguntas que podem ser percebidas com certa facilidade a partir do estudo dos trabalhos dos artistas e intelectuais da época. 
Ao contrário do que se ensina, o Modernismo não começou em 1922, nem mesmo em São Paulo. Desde 1870 já encontramos intelectuais preocupados com esse objetivo. No entanto, o fato histórico que ficou extramente conhecido em relação ao modernismo foi a Semana de Arte Moderna (1922) ocorrida no Theatro Municipal paulista e reuniu os grandes artistas da época.


A grande novidade mesmo daquela década foi a conquista do voto feminino, em 1927, no Rio Grande do Norte. Isso foi possível porque já vivíamos no federalismo e, por isso, os estados tem maior liberdade para criar leis diferentes. Porém, valia apenas para o RN. E os outros estados?  

Unidade 3 - Estados Unidos nos anos 1920

Olá,
A aula sobre esse tema foi muito maior e com várias informações. Porém, por uma questão de tempo e agilidade escreverei apenas sobre o que está na prova, ok?

Ao que interessa...

American way of life, consumo, crédito, fordismo, ações e Bolsa. Palavras chaves desse conteúdo. 
A década de 1920 foi muito próspera para os Estados Unidos por vários motivos. 1) Apesar de ter participado da Primeira Grande Guerra (1914-1918) o país não viveu a destruição de regiões produtivas porque o palco do conflito foi a Europa e parte da Ásia. 2) As principais potências europeias estavam arrasadas ao final da guerra e os EUA tiveram papel fundamental na recuperação econômica desses países através de investimentos e empréstimos.
Foi uma época de grande euforia nos Estados Unidos. Afinal, eles saíram vitoriosos da guerra e, em breve, entrou em grandes crescimento econômico. 

Além de obter altas vendas de importações para os países europeus, surgiu nos Estados Unidos uma forte onda de consumo. Surgia, então, o american way of life. Baseado nos salários e na obtenção de crédito a população americana era incentivada a comprar os principais produtos da época, como os rádios, telefones, geladeiras, automóveis, dentre outros. Esses artigos, também conhecidos como bens de consumo, passaram por uma redução de preços a partir do desenvolvimento e aplicação do fordismo. Uma das principais características desse modelo de produção é a divisão de tarefas na "linha de montagem" e cada setor de uma fábrica ficaria responsável por uma parte da fabricação do produto. Em razão disso, o fordismo conseguiu reduzir custos, o tempo de produção e ampliar a capacidade produtiva. 
E qual era o objetivo? Formar uma produção em massa para abastecer o consumo em massa.

Entretanto, o american way of life não era para todos. Esse estilo de vida atingiu, principalmente, a classe alta e média dos Estados Unidos e apesar do notável crescimento econômico e da prosperidade que o país vivia, setores da sociedade, como a população negra e de imigrantes, permaneceram marginalizados em função das desigualdades sociais produzidas pela concentração de renda. 

Em meados da década de 1920 a economia demonstra os primeiros sinais de supeprodução, ou seja, produzia-se mais do que o mercado consumidor era capaz de absorver. Logo, forma-se estoque e, então, a queda dos preços. A indústria e o campo passaram a reduzir a produção e realizar demissões para se ajustar. 

Falta o outro componente desse quebra-cabeças: A Bolsa de Valores e as ações.
Nesse tempo o investimento em bolsa de valores através da compra de ações de empresas como a Ford passaram por um grande crescimento. Em razão da alta procura na primeira metade da década o valor das ações cresceu consideravelmente e, assim, como os outros produtos, eles podiam ser adquiridas através de crédito. 

A partir da segunda metade da década de 1920, com os primeiros sinais da crise de superprodução, as indústrias começaram a reduzir os seus investimentos. Porém, o objetivo ao vender ações é utilizar os recursos recebidos em capacidade produtiva (produzir mais e mais veloz) e a elaboração de novos produtos. Porém, esse investimento tornou-se praticamente especulativo, ou seja, obtinha-se a ação apostando na valorização e depois a revendia, realizando o lucro.

Esse quadro de superprodução, demissões, manutenção de crédito e investimentos especulativos se prolongou até outubro de 1929, quando houve a quebra da Bolsa de Nova York. Diante do grande volume de venda das ações houve uma queda acentuada do valor das mesmas. Logo, as pessoas que compravam as ações perdiam seus investimentos e, consequentemente, não tinham como saldar suas dívidas com as corretoras que vendiam as ações ou com os créditos bancários. Sem esquecer o grupo cada vez maior de desempregados. 
(Menos emprego, menos consumo, menor lucro - demissão. Até mesmo ao fechamento completo das fábricas.)
Rapidamente o país mergulha em uma grave crise e em recessão (ausência de crescimento econômico). Ao longo dos anos de 1930, 1931 e 1932 diversas fábricas e bancos faliram e o número de desempregados atingiu altos níveis.  
Lembra que os Estados Unidos era o grande investidor e financiador do mundo e reconstrução da Europa? Esses investimentos somem do Velho Mundo e tornam a crise mundial. A Alemanha será o país mais atingido, depois dos Estados Unidos, pela crise de 1929. (Em momentos de crise, as radicalizações políticas ganham mais forças...). A única região que não sofreria efeito algum foi a União Soviética (URSS) porque todos os demais países haviam cortado relações diplomáticas e comerciais.

New Deal (1933)
O New Deal é um conjunto de medidas do Estado para intervirem na economia. 
Exemplo: o governo passa a regular a produção a partir de uma política de preço mínimo, compra do excedente, subsídios ou até mesmo a destruição das mercadorias. 
O governo dos Estados Unidos passaram a investir em grandes obras públicas para aumentar o número de empregados e, consequentemente, de consumidores. Por fim, o Estado passou a intervir também na relação entre trabalhadores e empresários, com a criação de salário mínimo,a limitação da jornada de trabalho, previdência e outros benefícios. O objetivo era garantir alguma seguridade social (por algum tempo) para quem perdesse o emprego.

O New Deal começou a resolver a crise nos Estados Unidos, mas não salvou completamente a economia. Isso aconteceria alguns anos depois. Além disso, a crise foi um dos fatos históricos que trouxe consequências mundiais.

domingo, 3 de maio de 2015

Unidade 2 - Revolução Russa (1917)

Conteúdo av2: Unidade 2

Crise do Império Russo
Nos primeiros anos do século XX a Rússia ainda era dirigida por uma monarquia absolutista. A sua economia era extramente agrária, as fábricas eram poucas, assim como o operariado, a sua burguesia muito pequena e havia forte repressão ao socialismo. 

1898: é fundado em clandestinidade o Partido Operário Social-Democrata Russo. Um partido socialista dividido em mencheviques, minoria formados por socialistas que defendiam a revolução feita em etapas e tendo como aliada os burgueses e os bolcheviques, liderados por Lênin, defendiam a revolução feita apenas por camponeses e os operários.

Pré-Revolução (1905)
Desencadeada após a guerra russo-japonesa motivado por questões territoriais em busca de matérias-primas. Por causa desse conflito a economia russa entra em crise por causa dos aumentos dos custos e pelo aumento dos impostos cobrados na tentativa do governo de aumentar seus rendimentos, o que gerou protestos da população.

Domingo Sangrento
Foi uma manifestação popular reivindicando melhorias nas condições de vida e estabelecer uma Assembleia Constituinte para elaborar uma Constituição e limitar os poderes do czar. A manifestação foi duramente reprimida e vários manifestantes foram mortos. Por causa dessa violência por parte do governo a Rússia mergulha em uma onde de protestos e greves. Além disso são criados os sovietsconselhos que reuniam operários, camponeses e operários e dariam a base da Revolução Russa.
Na tentativa de controlar a situação o czar Nicolau II decidiu aceitar a reivindicação da população criar a Assembleia Constituinte (DUMA), e com isso, tornar a Rússia uma monarquia constitucional. No entanto, o czar queria apenas ganhar tempo para tomar novas medidas repressoras e provocar o esvaziamento da DUMA e reprimir os opositores.

Revolução de 1917
Passamos de 1905 para 1917 e durante todo esse tempo a Rússia foi uma monarquia constitucional. E o que teria levado a Rússia a entrar em um processo revolucionário?
Isso é explicado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A Rússia não tinha condição nenhuma de participar de um conflito de tamanha proporção. O exército russo era extramente mal preparado e mal armado e logo no começo dos conflitos os russos viram os problemas de 1905 retornarem como a falta de alimentos e aumento dos preços. Lembrem-se que a economia russa era extremamente rural e dependentes de trabalhadores do campo, se falta mão de obra no campo, faltará alimento, quando há escassez, maiores são os preços. Por isso, os questionamentos da manutenção da Rússia na guerra passam a ser cada vez maiores.

Revolução de Fevereiro de 1917
Por causa do contexto apresentado acima de alta dos preços e escassez ocorre a primeira etapa da Revolução Russa. Com uma revolta popular e dos soldados que permaneceram na Rússia, o czar é obrigado a renunciar e em seu lugar foi criado um governo provisório. 

Apesar dessas medidas faltou retirar a Rússia da guerra. Por isso, o governo provisório perde rapidamente apoio político da sociedade. Isso abre espaço para a mobilização bolchevique liderados por Lênin, retornado do exílio após a anistia concedida pelo governo provisório e elaborou o seguinte lema para a Rússia: "Paz, pão e terra". Paz representava retirar o país da guerra, pão quer dizer dar condições de alimentação para a população e terra quer dizer fazer a reforma agrária. Além disso, Lênin defendia "todo o poder aos soviets"

Revolução de Outubro de 1917
Em outubro de 17 os bolcheviques tomam o poder com apoio popular e a primeira medida bolchevique é retirar a Rússia da guerra contra a Alemanha através do Tratado de Brest-Litovsky. Ao atender o desejo da sociedade russa cresce ainda mais o apoio popular ao governo bolchevique, o que confere maior liberdade de ação.
Agora podemos afirmar que os operários chegaram ao poder e através da luta revolucionária. Acreditava-se e, isso tornou-se verdade com o tempo, que os operários jamais chegariam o poder através das eleições democrática e sim, somente pela revolução. Somente pela tomada do poder.

Medidas dos bolcheviques - são medidas de caráter socialista
- realização da reforma agrária = maior acesso à terra para mais pessoas.
- nacionalização dos bancos = os bancos deixam de ser privados e passam para o controle do governo russo.
- estatização das empresas = as empresas deixam de ser privadas e estrangeiras e serão controladas pelo governo. 
- fábricas geradas pelos operários.

Guerra Civil (1918-1921)
A Guerra Civil teve início por causa dessas medidas dos bolcheviques e foi travada entre o Exército Branco, formada por nobres, burgueses, religiosos da Igreja Ortodoxa (com o apoio da França, Inglaterra e os Estados Unidos) e o Exército Vermelho, composto pelos bolcheviques. Esse conflito trouxe novo desgaste econômico para a Rússia e obrigou o Partido Bolchevique a recuperar o país da primeira guerra e da guerra civil. Por isso, algumas decisões foram revistas.

NEP (Nova Política Econômica)
A NEP foi a solução posta em prática pelo Partido Bolchevique para resolver os problemas da guerra civil e da primeira guerra mundial. A NEP é um retorno ao capitalismo porque a iniciativa privada foi permitida novamente, assim como a liberdade de preços e liberdade de lucro (ou seja, retorno à economia de mercado). Nesse período são fortes os investimentos na indústria de base, como a siderurgia.

1923: criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)

com a morte de Lênin se acirra a disputa pela sucessão dentro do Partido Comunista. De um lado estava Trostky - companheiro revolucionário de Lênin - que defendia a internacionalização da Revolução Russa, quer dizer, implantar o socialismo em outros países. De outro estava Stalin - personagem que cresceu dentro do Partido Comunista - e defensor da ideia que a revolução deveria ser consolidada na Rússia primeiro e depois levá-la para outros países. Stalin conseguiu fazer prevalecer o seu projeto político dentro do partido e obteve o comando da Rússia.


Voltaremos a falar de Stalin em breve...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Unidade 2 - capítulo 1 - Primeira Guerra Mundial

Oi turma!

a av 2 tem mais questões sobre I Guerra (1914-1918) do que Revolução Russa. Estudem bem.
É um pouco mais difícil do que a unidade 1, mas é possível fazer um boa prova.

Primeira Guerra Mundial
Como era a Europa Ocidental até 1913?
Normalmente fala-se em Belle Époque (bela época; tradução livre) para descrever esse momento de euforia e total crença na certeza de um progresso, até então inédito, e de um caminhar para um futuro sempre próspero. Os avanços técnicos confirmavam e reforçavam esse visão do mundo através da ampliação das ferrovias, do desenvolvimento de aviões, fabricação de carros...a vida mudava a passos largos naquele momento.

Contudo, essa prosperidade mais econômica do que social não escondia as tensões e rivalidades existentes entre as potências, seja entre a Alemanha e a França ou entre Alemanha e a Grã-Bretanha (Inglaterra). 

A questão entre alemães e franceses se arrastava desde 1871 quando a Alemanha ganha conflitos contra a França e a Prússia (parte Polônia, parte Alemanha) e toma territórios franceses conhecidos como Alsácia e Lorena, úteis para alimentar suas fábricas recém nascidas de sua Revolução Industrial. Essas foram as últimas batalhas que formaram a Alemanha enquanto país.

O problema com os ingleses era de outra ordem. No final do século XIX Alemanha já havia ultrapassado a Inglaterra em vários setores de produção industrial e caminhava para ser a grande potência europeia. Por isso, Inglaterra e Alemanha disputam mercados e a hegemonia econômica da Europa e até mesmo do mundo.

Além disso, os últimos anos do XIX e os primeiros anos do XX foram recheados de conquistas colônias europeias na África e na Ásia. França e Inglaterra possuíam várias colônias na região, como Costa do Marfim, Argélia, Nigéria, Senegal, dentre outros. A Alemanha, por ter se formado como país tardiamente, não possuía muitas colônias. Essa dominação de outros países ficou conhecida como Imperialismo e, em parte, o forte desenvolvimento armamentista está relacionada coma a dominação colonial porque era preciso defender as colônias dominadas e também demonstrar forças entre os países. É o momento da Paz Armada e também das alianças secretas: Tríplice Aliança (Alemanha, Império Áustro-Húngaro e, por um momento, Itália) e a Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França e Rússia)

Há também os nacionalismos nos Balcãs, foco de levantes nacionalistas contra o domínio do Império Áustri-Húngaro.
Existiam dois tipos de nacionalismos muito fortes naquele contexto.
a) Pan-eslavismo: defendia a união daqueles povos que pertencessem a mesma cultura eslava. A Rússia era a principal defensora dessa causa e queria a união com os eslavos que viviam no Império Áustro-Húngaro. Regiões hoje conhecidas como Sérvia, Eslováquia, Croácia, dentre outros.

b) Pan-germanismo: defendia a união dos povos germânicos em um mesmo território. Representados principalmente pelos alemães e austríacos.

É justamente o nacionalismo que causa o estopim da guerra quando Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Áustro-Húngaro, é morto em um atentado cometido por um nacionalista sérvio. O Império Austríaco declara guerra à Sérvia e pelo sistema de alianças várias potências europeias são arrastadas para a guerra. Um conflito que atingiu proporções inimagináveis seja em mobilizações de tropas, número de países envolvidos e em número de mortes de militares ou civis. Por exemplo, em uma batalha em 1916 morreram 60 mil pessoas em apenas 1 dia.

A guerra avançaria para um desfecho apenas em 1917 com a entrada dos Estados Unidos no conflito, mesmo assim, o fim aconteceria apenas em 1918 e traria enormes consequências.

O tratado de paz, conhecido como "Tratado de Versalhes" não conseguiu resolver de vez o conflito e como vocês mesmos perceberam, criou condições para mais confrontos. De acordo com ele ficou estabelecido que a Alemanha foi a culpada pela guerra e teria que indenizar os vencedores, principalmente a França. Além disso, ela foi obrigada a desmontar seu exército, devolver a região da Alsácia-Lorena e perdeu suas colônias na África.
 Outras consequências:
1) Os Impérios Áustro-Húngaro e Turco-Otomano desmoronaram e surgiram vários países na Europa e Ásia. (Vejam o mapa da página 47 e comparem com o da página 50)
2) Em função da grande destruição provocada pelo conflito a Europa deixa de ser o centro político e econômico do mundo. A partir de 1918, os EUA ocupam esse lugar e financia a reconstrução dos países envolvidos no conflito, principalmente a Alemanha, a mais dependente de recursos externos.
3) Formação da Liga das Nações na tentativa de criar um espaço de discussão diplomática entre os países e evitar outras guerras semelhantes. É um organismo anterior à Organização das Nações Unidas (ONU) 

domingo, 29 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 3: movimento operário

No capitulo 3 nós vamos ver os movimentos operários.

Naquela época nós estávamos tendo a transição do século XIX para o XX, e com isso muitos imigrantes vieram para o Brasil (portugueses, italianos e espanhóis). As principais cidades com mais imigrantes eram: RJ, SP, MG, Sul e NE. Houve um forte aumento de trabalho no campo e nas cidades devido aos imigrantes.
Temos que lembrar que naquela época o Rio de Janeiro era o estado mais industrializado do Brasil.

Condições de trabalho
Os trabalhadores sofriam bastante, pois as longas jornadas de trabalho eram muito longas, o salário baixo, haviam constantes acidentes devido a falta de equipamentos e a jornada de trabalho noturna para mulheres e jovens.
As condições de trabalho nas fabricas eram praticamente escravas, com a carga horária de 10 a 14 horas e, em alguns casos, de 17 horas, os trabalhadores estavam sujeitos a multas e ate castigos físicos devido ao baixo rendimento, atrasos, demora no banheiro, brincadeiras e conversas.

Anarquismo e socialismo

Os operários italianos e espanhóis trouxeram para o Brasil as ideias do anarquismo e do socialismo, difundidas na Europa na época.
Enquanto os socialistas eram mais pacíficos e a favor da negociação, os anarquistas queriam superar o governo [Estado].
Em 1906,  os anarquistas lançaram uma campanha no jornal que pedia a diminuição da carga horária para somente oito horas por dia. Com isso, os trabalhadores foram estimulados para fazerem greves, sabotagens, boicotes e passeatas. Essas ações eram reprimidas com rigor pela policia.
Os estrangeiros que participavam dessas greves era expulsos do pais e os demais brasileiros eram presos e deportados para o Acre.

Greve de 1917

Em 1917, as greves dos trabalhadores se transformaram em uma greve geral e nesse momento os donos das indústrias tiveram muitos problemas.
Os trabalhadores estavam revindicando para as melhores condições de trabalho como, as menores jornadas de trabalho, o aumento salarial e a restrição do trabalho noturno para mulheres e jovens.
Dia 9 de julho, houve um confronto entre a policia e os grevistas que ocorreu a morte de um sapateiro anarquista que causou a agressão nas greves.

As greves estavam acontecendo no estado de São Paulo, mas com o aumento de anarquistas foi se expandindo para outros estados como, Rio de janeiro, Paraná, Bahia, Minas gerais, Mato grosso, Rio grande do sul e Santa Catarina. A lei sobre indenização por acidentes de trabalho foi conquistada em 1919 e a lei garantia 15 dias de férias anuais, em 1926. Entretanto, a jornada de oito horas, a grande reivindicação dos trabalhadores, só foi instituída por lei em 1930.