Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003)
Nos
primeiros quatro anos houve a ampliação do neoliberalismo,
principalmente, pela vendas das empresas estatais. (privatização). E por que? Lembrem-se que neoliberalismo = "estado
mínimo". A venda das empresas estatais representava a política oposta utilizada
por muitos anos no Brasil de amplos investimentos do governo nos setores
produtivos, como no período de Getúlio Vargas ou até mesmo de Juscelino
Kubitschek. Logo, diversas atividades econômicas devem ser entregues
para o setor
privado. Por isso houve a venda da Vale (na época Vale do Rio Doce),
uma
empresa estatal criada durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio
Vargas para extrair as riquezas minerais do país. (Uma empresa que não
registrava prejuízos.) Os setores setores de telecomunicações,
siderurgia e mineração passaram pela privatização e estabeleceu-se em
1997 o fim do monopólio da Petrobras sobre o petróleo. Os defensores das
privatizações afirmavam que
tratavam-se empresas que davam prejuízos e com a venda delas haveria
mais recursos para aplicar em Saúde e Educação e menores gastos do
governo. Bem, acho que a sociedade espera a melhoria nessas áreas até
hoje.
Ainda no governo Fernando Henrique foi aprovada a
Lei de Responsabilidade Fiscal que proibia os governos de gastarem mais
do arrecadam. Foram criadas também programas de transferência de renda
direta, como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação no qual famílias muito
pobres recebiam recursos do governo para complementar a renda. Foi o governo que mais promoveu a reforma agrária (redistribuição de terras) mesmo que discretamente.
2° mandato - 1999-2002
Por
causa do sucesso econômico do país e do controle da inflação Fernando
Henrique Cardosos conseguiu a reeleição. Porém, foi necessária a
aprovação de uma emenda na Constituição de 1988 que não permitia a
reeleição. Surgem nesse período denúncias de compra de votos para a
aprovação da emenda constitucional e esse caso de corrupção se juntaria a
indícios de irregularidades nas privatizações.
O
2°mandato foi muito conturbado porque o mundo passou por três crises
econômicas internacionais entre 1999 e 2001 e em países que iguais ao
Brasil - em
desenvolvimento - e praticantes do neoliberalismo estão propensos a
sofrer
mais com tais crises. Estas crises provocaram o fim da equiparação
entre dólar e real e colocou o país em um período de baixo crescimento
econômico, com aumento do desemprego e concentração de renda. Mesmo
assim, 2001 é o ano da criação de programas sociais como o Bolsa Escola,
o Bolsa Alimentação, o Auxílio-Gás o Cartão Alimentação.
Em 2002 houve a corrida presidencial entre Luís Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB).
Governo Luís Inácio "Lula" da Silva (2003-2010)
Ao
contrário do esperado o governo Lula não alterou a política
econômica e manteve o país no neoliberalismo. Porém, com alguma
participação e intervenção do Estado (leia Governo Federal). Por outro
lado, houve avanço na produção de vagas de empregos, aumento
do salário mínimo e avanços em políticas sociais. Os programas criados
por Fernando Henrique Cardoso foram unificados no Bolsa Família. O
governo também criou políticas como o "Luz para Todos" que levou energia
elétrica para milhares de pessoas no país. Foram ampliadas as vagas
para estudantes universitários pela rede privada de ensino através do
ProUni, assim como foram criadas diversas universidades federais e
escolas de ensino técnico pelo país.
O
governo Lula também foi marcado pelo lema "Fome Zero" que buscava
reduzir de maneira radical quantidade de pessoas que passavam fome no
país e deu resultado. Em 2014, a Organização das Nações Unidas
(ONU) retirou o Brasil do "mapa da fome" no mundo. Deve-se destacar que o
Brasil foi reconhecido como um dos países que mais reduziu a pobreza
nos últimos anos. Além disso, houve uma
aposta muito grande no Etanol. Tipo de combustível renovável obtido
através da cana de açúcar presente hoje em posto de abastecimento.
No
cenário internacional o Brasil passou a buscar outros contatos e outros
parceiros comerciais e reduziu a participação dos Estados Unidos e
União Europeia nas trocas comerciais e passou a olhar também para os
vizinhos, como Argentina, Chile, Venezuela, dentre outros. Além de
estabelecer maior contato com países africanos e com países asiáticos,
especialmente a China.
2° mandato (2007-2010)
Lula
conseguiu se reeleger mesmo com a revelação do caso do "mensalão" em
2005 que tratava da compra de votos de parlamentares em troca da
aprovação de projetos e leis do governo no Congresso Nacional, assim
como houve a suspeita no caso da emenda constitucional da reeleição. No
segundo mandato o país foi atingido pela crise mundial de 2008 que
começou nos
Estados Unidos e atingiu a Europa e depois o mundo. A solução do
governo para manter algum crescimento e evitar o desemprego foi o
incentivo ao consumo pela redução e isenção de impostos para os
fabricantes e maior facilidade na obtenção de crédito provocada pela
redução das taxas de juros cobradas sobre os empréstimos nos bancos
públicos, como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Deu certo e ainda surgiu o que muitos chamam de "nova
classe média"
O
governo criou também o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que
contavam com várias obras para melhorar a infra-estrutura do país e
torná-lo mais competitivo e quem ficou a cargo de coordenar as diversas
obras por todo país foi Dilma Roussef.
A eleição de Dilma para a presidência é um marco na história política do país por se tratar da primeira mulher a assumir o cargo. (Lembre: somos uma república com eleições constantes desde 1889.). O início do mandato foi marcado por ampliação de programas sociais como o "Pronatec" e o "Minha Casa, Minha Vida" e expansão do mercado de trabalho formal. Contudo, o modelo de crescimento baseado no consumo adotado no final do segundo mandato do governo Lula chegou ao fim em 2014, apesar desse mesmo ano registrar o menor índice de desemprego da história do país.
Além disso, o ano de 2013 foi marcado pelas Manifestações de Junho que tinham como pauta inicial a questão dos transportes e mobilidade urbana nas grandes cidades do país, mas após dura repressão policial ganhou cada vez mais e ampliação de reivindicações, como o questionamento aos altos investimentos para os grandes eventos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.