quinta-feira, 6 de abril de 2017

Unidade 4 - Capítulo 1 - Totalitarismo

Oláááááááááá
Não se esqueçam. Nosso conteúdo é Totalitarismo (Fascismo e Nazismo) e Segunda Guerra (1939-1945)

É o seguinte.
Para entender o totalitarismo precisamos lembrar de dois assuntos. Um deles é uma das consequências da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após o conflito, os europeus, de modo geral, adotaram uma posição descrente em relação ao liberalismo político, como a liberdade democrática, a participação política por eleições e a existência de diferentes posicionamentos políticos, porque todas essas ideias não foram capazes de evitar um confronto que ganhou proporções até então inéditas. Em parte, isso explica o nascimento do Fascismo na Itália.
Além disso, devemos lembrar também, as consequências da crise de 1929. Com a quebra da bolsa houve o aprofundamento da crise nos Estados Unidos e a generalização dela por todo o mundo, atingindo fortemente a Alemanha, extremamente ligada a economia americana pelos empréstimos para a reconstrução do país. Logo, a crise é um dos fatores que explicam o fortalecimento do nazismo na Alemanha.
No entanto, vocês devem lembrar que o cenário no pós primeira guerra não era empolgante. A humanidade agora tinha certeza que conseguia entrar em um conflito e batalhar até a exaustão, acumulando não apenas enormes perdas materiais, de plantações e fábricas, mas também uma gigantesca perda humana. Não podemos desconsiderar o panorama econômico de desemprego e inflação após o conflito. Se juntarmos tudo isso temos um contexto fértil para o desenvolvimento de ideias extremistas.
Na Itália, o fascismo adquiriu força logo no após o final da guerra porque o país não recebe as compensações territoriais prometidas pela Tríplice Entente (Reino Unido e França) e, com isso, criou-se uma ideia de governo fraco que não conseguia ter seus interesses atendidos e, some-se a isso, o desprezo que havia em relação à democracia. Em 1919, liderados por Benito Mussolini, já houve registro de atividades de fascistas que perseguiram tanto liberais, como a esquerda política (socialistas e anarquistas). Por outro lado, de acordo com relatos biográficos, nesse mesmo período na Alemanha, Adolf Hitler, uma das principais figuras do século XX não sabia muito bem o que fazer da sua própria vida, uma vez que a guerra, uma experiência que finalmente deu sentido para sua vida não mais existia. O ingresso no Partido Nazista ocorreria apenas em 1920.
O mais interessante é pensar o que Fascismo e Nazismo têm em comum.
Ambos tem um líder: Mussolini, na Itália e Hitler, na Alemanha. 
Ambos desprezam a democracia, assim como o liberalismo e os vários partidos. Basta lembrarmos que enquanto existiu o totalitarismo, o Partido Nazista foi o único existente na Alemanha e o mesmo ocorreu na Itália. 
Ambos são nacionalistas extremados e defendem seus países de forma agressiva.
Ambos possuem uma forte política militarista de desenvolver, treinar e armar seus exércitos.
Ambos defendem o domínio de outras regiões, ou seja, expansão territorial sobre outros países. Na Alemanha, essa ideia ganhou o nome de  "espaço vital".
O que é muito particular na Alemanha é o antissemitismo e a perseguição e o que se costuma denominar de minorias. Como exemplo, podemos citar o grupos hoje conhecido como LGBT, os negros, deficientes físicos e mentais. Por diferentes motivos, a ideia de uma "raça pura" e de superioridade da "raça ariana" tornou-se extremamente forte na Alemanha e todos aqueles que desviassem do que seria considerado o tipo ideal de alemão ou alemã deveria ser marginalizado.
E como convencer tantas pessoas a abraçarem algo tão conversador?
Não se esqueçam que a sociedade, em grande parte, procurava uma alternativa ao liberalismo e a democracia. Para a maioria, o crescente movimento socialista não era uma opção e, por muitas vezes, a experiência totalitarista é explicada como uma resposta ao temor do avanço socialista no mundo. Não se esqueçam também que o cenário econômico não era favorável, seja na Itália ou na Alemanha e recorde que o Tratado de Versalhes era odiado por todos os alemães. Por fim, temos dois personagens que possuem um grande poder de convencimento. Mas isso não basta.
Uma vez no poder os governos fascistas e nazistas incentivaram maciçamente o desenvolvimento de propaganda por todo o país, com uma ampla diversidade de temas. Como o culto ao líder, o culto à nação pelo nacionalismo, a negação das diferenças sociais, a formação e identificação de quem deveria ser perseguido (como os judeus), a formação de uma ideia de unidade e negação das individualidades para o desenvolvimento da nação. O desenvolvimento e reforço de gestos, assim como manifestações públicas gigantescas com bandeiras do país por todo o lado, assim como do único partido existente. (Há várias imagens na internet que mostram reuniões públicas na Alemanha com bandeiras nazistas por todos os lados)
Devemos lembrar também do controle dos meios de comunicação através da censura aos jornais, livros e qualquer material impresso para controlar a circulação de ideias contrárias aos regimes totalitários.  Por fim, podemos citar também o controle exercido sobre as escolas para convencer, desde cedo, que o totalitarismo era algo...bom. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Unidade 9 - cap. 2 - Brasil: 20 anos em retrospectiva

Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003)

Nos primeiros quatro anos houve a ampliação do neoliberalismo, principalmente, pela vendas das empresas estatais. (privatização). E por que? Lembrem-se que neoliberalismo = "estado mínimo". A venda das empresas estatais representava a política oposta utilizada por muitos anos no Brasil de amplos investimentos do governo nos setores produtivos, como no período de Getúlio Vargas ou até mesmo de Juscelino Kubitschek. Logo, diversas atividades econômicas devem ser entregues para o setor privado.  Por isso houve a venda da Vale (na época Vale do Rio Doce), uma empresa estatal criada durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas para extrair as riquezas minerais do país. (Uma empresa que não registrava prejuízos.) Os setores setores de telecomunicações, siderurgia e mineração passaram pela privatização e estabeleceu-se em 1997 o fim do monopólio da Petrobras sobre o petróleo. Os defensores das privatizações afirmavam que tratavam-se empresas que davam prejuízos e com a venda delas haveria mais recursos para aplicar em Saúde e Educação e menores gastos do governo. Bem, acho que a sociedade espera a melhoria nessas áreas até hoje.
Ainda no governo Fernando Henrique foi aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal que proibia os governos de gastarem mais do arrecadam. Foram criadas também programas de transferência de renda direta, como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação no qual famílias muito pobres recebiam recursos do governo para complementar a renda. Foi o governo que mais promoveu a reforma agrária (redistribuição de terras) mesmo que discretamente.  

2° mandato - 1999-2002
Por causa do sucesso econômico do país e do controle da inflação Fernando Henrique Cardosos conseguiu a reeleição. Porém, foi necessária a aprovação de uma emenda na Constituição de 1988 que não permitia a reeleição. Surgem nesse período denúncias de compra de votos para a aprovação da emenda constitucional e esse caso de corrupção se juntaria a indícios de irregularidades nas privatizações. 
O 2°mandato foi muito conturbado porque o mundo passou por três crises econômicas internacionais entre 1999 e 2001 e em países que iguais ao Brasil - em desenvolvimento - e praticantes do neoliberalismo estão propensos a sofrer mais com tais crises. Estas crises provocaram o fim da equiparação entre dólar e real e colocou o país em um período de baixo crescimento econômico, com aumento do desemprego e concentração de renda.  Mesmo assim, 2001 é o ano da criação de programas sociais como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Auxílio-Gás  o Cartão Alimentação.
Em 2002 houve a corrida presidencial entre Luís Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB). 

Governo Luís Inácio "Lula" da Silva (2003-2010)
Ao contrário do esperado o governo Lula não alterou a política econômica e manteve o país no neoliberalismo. Porém, com alguma participação e intervenção do Estado (leia Governo Federal). Por outro lado, houve avanço na produção de vagas de empregos, aumento do salário mínimo e avanços em políticas sociais. Os programas criados por Fernando Henrique Cardoso foram unificados no Bolsa Família. O governo também criou políticas como o "Luz para Todos" que levou energia elétrica para milhares de pessoas no país. Foram ampliadas as vagas para estudantes universitários pela rede privada de ensino através do ProUni, assim como foram criadas diversas universidades federais e escolas de ensino técnico pelo país. 
O governo Lula também foi marcado pelo lema "Fome Zero" que buscava reduzir de maneira radical quantidade de pessoas que passavam fome no país e deu resultado. Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou o Brasil do "mapa da fome" no mundo. Deve-se destacar que o Brasil foi reconhecido como um dos países que mais reduziu a pobreza nos últimos anos. Além disso, houve uma aposta muito grande no Etanol. Tipo de combustível renovável obtido através da cana de açúcar presente hoje em posto de abastecimento.
No cenário internacional o Brasil passou a buscar outros contatos e outros parceiros comerciais e reduziu a participação dos Estados Unidos e União Europeia nas trocas comerciais e passou a olhar também para os vizinhos, como Argentina, Chile, Venezuela, dentre outros. Além de estabelecer maior contato com países africanos e com países asiáticos, especialmente a China.

2° mandato (2007-2010)
Lula conseguiu se reeleger mesmo com a revelação do caso do "mensalão" em 2005 que tratava da compra de votos de parlamentares em troca da aprovação de projetos e leis do governo no Congresso Nacional, assim como houve a suspeita no caso da emenda constitucional da reeleição. No segundo mandato o país foi atingido pela crise mundial de 2008 que começou nos Estados Unidos e atingiu a Europa e depois o mundo. A solução do governo para manter algum crescimento e evitar o desemprego foi o incentivo ao consumo pela redução e isenção de impostos para os fabricantes e maior facilidade na obtenção de crédito provocada pela redução das taxas de juros cobradas sobre os empréstimos nos bancos públicos, como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Deu certo e ainda surgiu o que muitos chamam de "nova classe média"
O governo criou também o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que contavam com várias obras para melhorar a infra-estrutura do país e torná-lo mais competitivo e quem ficou a cargo de coordenar as diversas obras por todo país foi Dilma Roussef.

Governo Dilma Rousseff (2011-2014)
A eleição de Dilma para a presidência é um marco na história política do país por se tratar da primeira mulher a assumir o cargo. (Lembre: somos uma república com eleições constantes desde 1889.). O início do mandato foi marcado por ampliação de programas sociais como o "Pronatec" e o "Minha Casa, Minha Vida" e expansão do mercado de trabalho formal. Contudo, o modelo de crescimento baseado no consumo adotado no final do segundo mandato do governo Lula chegou ao fim em 2014, apesar desse mesmo ano registrar o menor índice de desemprego da história do país.
Além disso, o ano de 2013 foi marcado pelas Manifestações de Junho que tinham como pauta inicial a questão dos transportes e mobilidade urbana nas grandes cidades do país, mas após dura repressão policial ganhou cada vez mais e ampliação de reivindicações, como o questionamento aos altos investimentos para os grandes eventos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Unidade 9 - cap. 1 - Os desafios da redemocratização

Governo José Sarney (1985-1989)
Personalidade presente no cenário político até hoje e era um homem de confiança do governo militar que deixava de existir. A ditadura havia acabado, mas era preciso redemocratizar o país. E o que isso significa? E como fazer isso? Através de uma nova Constituição para substituir a existente de 1967. Em 1986 é convocada um Assembleia Constitucional para escrever mais uma Constituição para o país. Em 1988 os debates e a redação do texto estavam concluídos e o texto entrou em vigor. Ela estabelece, por exemplo, as eleições diretas, por escolha popular, para todos os cargos e em dois turnos, se necessário. Transformou os mandatos de 4 para  5 anos, estabeleceu a liberdade de formação de partidos, a liberdade de imprensa e manifestação de pensamento. (Não esqueçam que nada disso acontecia ao longo do regime militar). Agora os meios de comunicação como revistas, jornais e tv's tinham (e tem) total liberdade para escrever, assim como a população pode se expressar sobre diferentes assuntos no país livremente.
Economicamente foram anos complicados para o país, com o registro de inflações altíssimas. Por isso, o governo lançou o Plano Cruzado que estabeleceu a troca da moeda de cruzeiro para cruzado e o congelamento dos preços e salários. O objetivo era deixar os rendimentos e os preços inalterados para reduzir a inflação que, 1989, chegou a mais de 1.000% ao ano. O plano teve obteve sucesso temporário porque após alguns meses passou haver a escassez de produtos em função do congelamento dos preços, pois os estabelecimentos comerciais não disponibilizavam os artigos de consumo porque os preços não se alteravam, mas a inflação sim, fato que levou a uma redução dos ganhos. Como alternativa, surgiu a cobrança do "ágio", ou seja, cobrava-se um preço "por fora" e mais elevado para os consumidores.
Em 1989, houve a disputa presidencial e, nesse momento, tivemos a primeira eleição direta para este cargo em 30 anos. Foram para o segundo turno Fernando Collor e Luis Inácio Lula da Silva. 

Governo Fernando Collor (1990-1992)
     Com 43% dos votos, Collor ganha as eleições e, assim como o governo anterior, tinha como desafio controlar a inflação do país. Imediatamente após a posse, o governo lançou o Plano Collor que estabelecia o retorno do cruzeiro, o congelamento dos preços e salários e o bloqueio das contas-correntes, cadernetas de poupanças e diversas aplicações financeiras. Isto quer dizer que a população tinha acesso restrito ao seu dinheiro. O governo esperava que com menos dinheiro disponível, houvesse a diminuição do consumo e a consequente redução dos preços. 
    Esse governo é marcado pela entrada do Brasil  no Neoliberalismo e no mundo globalizado. Simplificando o neoliberalismo é caracterizado pelo "Estado mínimo" que defende a menor interferência possível do governo na economia, cortar gastos através de privatizações das empresas públicas e de contenção dos recursos. A venda de empresas estatais começaram nesse período e é desse momento também a abertura do mercado brasileiro para empresas internacional.
     Isso marcou a entrada do Brasil no processo de globalização. Isto é, inserir o país em uma economia totalmente interligada com as economias mundiais. No entanto, isso trouxe consequências boas e ruins. Diversas empresas e fábricas não tinham condição de competir com produtos importados e, por vezes, mais baratos que os produzidos aqui. Nesse caso, a forte concorrência entre nacionais e importados ocasionou a falência de diversas empresas e, em decorrência disso, o aumento do desemprego. Nesse cenário econômico, o país registrou recessão entre os anos de 1991 e 1993.
(Lembre, no neoliberalismo o Estado não deve interferir na economia, por isso, não houve qualquer ação por parte do governo para evitar os fechamentos das empresas)

    Em um momento marcado por descontentamento popular por causa do Plano Collor e grandes problemas na economia, surgiram as denúncias de corrupção envolvendo o próprio chefe do governo, fato que ocasionou o impeachment do presidente da República. O que isso quer dizer? O Congresso Nacional votou e aprovou a derrubada de Collor do poder depois da forte mobilização da juventude em um movimento que ficou conhecido como "caras pintadas".
Para concluir o seu governo assume o seu vice: Itamar Franco.
Foi nesse governo, em 1994, que foi criado e posto em prática pelo Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso o Plano Real com o objetivo: acabar com a inflação. O programa teve sucesso porque associou estratégias diferentes das utilizadas até então e pela ampliação da política econômica neoliberal. O plano estabeleceu a restrição da emissão de papel-moeda (dinheiro), a elevação de juros e a equiparação do Dólar com o Real (US$ 1 = R$ 1). Pelo neoliberalismo, ampliou-se os cortes nos gastos públicos, a privatização das empresas estatais e manteve a abertura da economia.
Essas medidas reduziram a inflação, produziram a queda dos preços e possibilitaram o crescimento do consumo. Houve também a forte entrada de importados e a forte concorrência externa e, em contrapartida, altos investimentos em mecanização dos processos de produção das mercadorias.
O Plano Real controlou a inflação no Brasil e foi isso que garantiu a eleição de Fernando Henrique Cardoso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - "Guerra ao Terror" e Primavera Árabe (continuação)

O século XX foi marcado por duas grandes guerras e por uma grande tensão entre os EUA e URSS. Apesar do fim da guerra fria em 1991, os últimos anos do século não seriam sinônimo de paz, assim como o século XXI viveu, até o momento e certo sentido, dias um pouco melhores. A ameaça internacional deixou de ser o comunismo no início dos anos 1990 e, à medida que nos aproximamos dos anos 2000, passou a ser o terrorismo. 
Os Estados Unidos entraram na "Guerra ao Terror" (combate ao terrorismo) a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, realizados pela al-Qaeda de Osama Bin Laden. Os EUA invadiram o Afeganistão em busca da captura de Bin Laden e derrubaram o governo dos fundamentalistas islâmicos do Taleban. A captura e morte do líder terrorista aconteceria apenas em 2011, apesar disso a organização al-Qaeda não deixou de existir. 
Em 2003, os EUA ignoraram a determinação da ONU de não intervenção do Iraque e invadiram o país em busca de supostas armas químicas possuídas pelos país que poderiam ser vendidas para grupos terroristas. Mesmo com a invasão e da derrubada do poder de Saddam Hussein não ficaram comprovadas a existência de vínculos do governante com grupos terroristas, nem a posse de armas químicas ou de destruição em massa. Na verdade, o interesse dos EUA estava no subsolo: petróleo. O Iraque possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e hoje é comandada por diversas empresas do ramo dos Estados Unidos. Vale destacar também que o próprio presidente na época, George W. Bush, tinha relações muito próximas com essas mesmas empresas.
Apesar da ação americana contra o crescimento do terrorismo no mundo, a "Guerra ao Terror" não deu fim ao atentados. Em 2004 foram realizados ações terroristas em Madri (Espanha) e em 2005 em Londres (Inglaterra), dentre outros em diversos países.

Os conflitos entre Palestina e Israel também não foram resolvidos até o presente e foram adicionados elementos que desestabilizam ainda mais a região, como a formação de grupos fundamentalistas islâmicos, como o Hamas da palestina e do Hezbollah, no Líbano, ambos vizinhos de Israel e a recorrente ação de grupos terroristas, como a própria al-Qaeda e do Estado Islâmico, presente em vários países.

Contudo, houve uma novidade a partir de 2010 no mundo árabe. Um movimento iniciado na Tunísia por melhor qualidade de vida, mais liberdades e direitos se espalhou para o Egito e alcançou diversos países, como a Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, dentre outros. Essa fato histórico ficou conhecido como Primavera Árabe. O Ocidente acompanhou as manifestações nesses países principalmente a partir de meios eletrônicos, como o Facebook e o Twitter, utilizados pelos jovens para espalhar suas ideias e seus desejos e para divulgar as ações de repressão dos governos aos movimentos. 
Em todos esses países percebemos diferentes consequência em cada um deles. Apesar de registrar mortes a Tunísia passou por um processo mais pacífico do que os outros e em 2014 conseguiu formar um governo democrático e conciliado com um islã político, além de aprovar uma Constituição com maiores liberdades políticas e mais igualitária. As manifestações no Egito provocaram as primeiras eleições presidenciais em 30 anos. O presidente eleito não conseguiu realizar as mudanças pedidas pela população e por isso, novas manifestações foram registradas e novo presidente foi deposto. Na Líbia houve a derrubada do ditador de Muammar Kadafi e na disputa pelo poder, o país mergulhou em guerra civíl. O mesmo é constatado na Síria do ditador Bashar al-Assad que resiste no poder ao utilizar o aparato militar e policial contra os civis opositores do regime. É o que chamamos de guerra civil.
É isso tudo! : (

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - Fim da Guerra Fria e tensões no mundo árabe

Olá turma,
esse post fecha o conteúdo da prova. É uma parte bem extensa porque, de certa forma, cobriremos acontecimentos de 1947 até 2003.
O livro didático divide os assuntos tratados nesse post, mas eu preferi juntá-los porque eles estão muito relacionados. O cap. 1 da Unid. 8 - trata mais de fatos entre EUA e URSS, assim como o fim da guerra fria e o cap. 2 aborda exclusivamente a questão judaico-palestina. Como já mencionado ambos os caps tem pontos de contato, por isso, fiz em um post e quase em ordem cronológica. Achei que seria mais fácil assim.

Vamos lá!

Nós saímos do Brasil e da ditadura militar e voltamos nossa atenção para acontecimentos mundiais. Estávamos em 1985, mas precisaremos voltar ao tempo para 1947.
Nesse momento o mundo saiu de um dos maiores conflitos já vistos na história, pois em 1945 a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim após a derrota da Alemanha nazista e do lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
É muito conhecida a perseguição e eliminação dos judeus posta em prática ao longo do conflito e a consequente comoção mundial provocada após a descoberta dos campos de concentração espalhados por vários países do continente europeu, dentre eles, o mais conhecido foi Auschwitz, na Polônia.
Dentro desse contexto de fim da guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) justamente para mediar conflitos entre as nações e tentar impedir o surgimento de novos conflitos da mesma proporção da Segunda Guerra. Foi nesse organismo multinacional - porque praticamente todos os países do mundo estão representados na ONU - ganhou força o discurso sionismo que defendia a união de todos os judeus em um Estado.
A região escolhida para a criação desse Estado foi a Palestina, de maioria muçulmana e minoria judaica e sob controle da Grã-Bretanha naquele momento. O lugar é historicamente importante para os judeus antes mesmo da dominação romana, no século II d.C. Em 1947, a ONU aprovou a divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe-palestino e em 1948 foi anunciada a criação do Estado de Israel.
Imediatamente os palestinos e os demais países árabes da região, já insatisfeitos com a divisão de territórios, entraram em conflito com o recém criado Estado. Porém, outras guerras colocaram árabes e judeus em campos opostos, em 1956, houve a Guerra de Suez, em 1967, a Guerra dos Seis Dias e, finalmente, em 1973, a Guerra do Yom-Kippur. Não comentaremos cada uma dessas guerras, mas é importante lembrar uma impactante consequência do conflito de 1973. O que todos esses embates tiveram em comum foi a gradual expansão das fronteiras de Israel sobre território palestino. (Olhem o livro na página 211 para visualizarem isso.) O mais marcante deles foi a ocupação de territórios palestinos por Israel em resposta à ação palestina no Yom-Kippur. Por outro lado, os países árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, dentre outros, aumentaram o preço do petróleo. Essa medida da OPEP ficou conhecida como o choque do petróleo e afetou a economia mundial porque o produto e seus derivados compõem diversos setores da economia e o aumento do preço levou ao aumento dos custos de produção.

Em 1979, o mundo passaria por um segundo choque do petróleo em função da Revolução Islâmica, no Irã. No mesmo ano, os xiitas - uma vertente do islamismo - derrubou o governo de Reza Pahlevi que tinha orientação mais próxima dos Estados Unidos e do Ocidente e em seu lugar foi posto o aiatolá Khomeini que proclamou a República e passou a combater as influências ocidentais no país e se distanciou dos Estados Unidos. Em resposta, os EUA deram apoio militar ao Iraque de Saddam Hussein para combater o Irã. Esse conflito ficou conhecido com Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Em resposta à ação americana a OPEP realizou mais um aumento no preço do produto, o que ocasionou o segundo choque do petróleo.

Por causa desse novo choque, os Estados Unidos no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e a Grã-Bretanha, comandada pela Margaret Thatcher (1979-1990) deram início ao desmonte do Estado de Bem Estar Social que existia desde o final da Segunda Guerra Mundial e iniciaram o neoliberalismo. Essa visão econômica defende a menor participação do Estado na economia e isso se traduziu no fim do controle dos preços pelos governos, a redução de impostos (para os empresários!), menos regulamentação na relação de trabalho, a abertura à investimentos estrangeiros e a venda de empresas públicas (privatização). 

A década de 1980 foi marcada por muitas mudanças no contexto mundial.  No plano econômico ficou constatado a gradual redução do crescimento econômicos nos EUA e Europa e adoção cada maior da política econômica neoliberal. O Brasil - e a América Latina de modo geral - entraram em forte crise econômica sem crescimento e, no nosso caso, com forte alta da inflação. Lembrem-se que eram os últimos anos da ditadura também.

Além de iniciarem o neoliberalismo, os EUA deram início também à nova corrida armamentista com a instalação de mísseis em países europeus que poderiam alcançar a URSS. Foi implantado também o programa "Guerra nas Estrelas", capaz de interceptar, pelo espaço, eventuais mísseis lançados pela URSS contra os EUA. Os soviéticos tentaram acompanhar esse nova corrida com os Estados Unidos, como fizeram nos anos 1950 e 1960, mas os tempos eram outros, e o governo e a economia soviética davam claros sinais de desgaste. Os EUA tiveram sucesso porque eram investimentos feitos praticamente pelas indústrias privadas de armamentos, enquanto na URSS os recursos vinham do Estado cada vez mais em debilitado.

 Foi justamente a situação econômica da União Soviética que motivou mudanças políticas e econômicas durante o governo de Mikhail Gorbachev (1985-1991). O objetivo principal das medidas postas em prática eram modernizar e reestruturar o Estado soviético. No entanto, consequências imprevistas se desenrolaram. Gorbachev colocou em prática a glasnost que previa o fim da censura, a liberdade religiosa e libertação dos presos políticos e o combate à corrupção e dos privilégios entranhada na alta cúpula do governo e também do Partido Comunista. Logo, tratava-se de um programa de abertura política. Ao mesmo tempo foi posta em prática a perestroika que permitia a abertura econômica para empresas e investimentos estrangeiros.
A glasnost e perestroika que buscavam modernizar a URSS acabaram decretando o seu fim. Em 1989, o famoso muro de Berlim, um dos maiores símbolos da guerra fria foi derrubado pelos próprios alemães. No ano seguinte, países como a Polônia e a Tchecoslováquia anunciaram a sua separação da União Soviética e, finalmente, 1991, diversos países declaram-se independentes. Com isso, a URSS chegou ao fim e, ao mesmo tempo a Guerra Fria.
Logo, é possível afirmar que a maior consequência da implantação das glasnost e perestroika foi o fim da União Soviética e ao mesmo tempo, no política externa, o término da Guerra Fria.

continua...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Unidade 7 - Cap. 1 - Os anos de chumbo

Olá olá
turma, nossa matéria de av1 é gigaaaaaaaaaaante. Porque o conteúdo é a Unidade 7 e a Unidade 8, capítulos 1 e 2 + um pequeno trecho do capítulo 3. Este post é apenas da ditadura militar no Brasil (unid. 7), ok?
Tentarei fazer um resumão sobre tudo e é altamente indicado estudar porque aqui mesmo, o livro é muito extenso.

A ditadura militar no Brasil começou em 1964 e se prolongaria até 1985. Recorde que esse período teve início a partir do momento que os militares, motivados pelo discurso de livrar o país do comunismo e da corrupção, deram um golpe contra o presidente eleito João Goulart e seu lugar foi posto o general Humberto Castello Branco (1964-1967). Devemos destacar também para características muito específicas da nossa ditadura, como a manutenção do funcionamento do Congresso pelos quase 21 anos de regime militar e a mudanças de presidentes ao longo de todo esse período. Além disso, existiram ainda os Atos Institucionais (AI). Decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República e que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P).
 Contudo, essas três característica da ditadura eram apenas estratégia daqueles que estavam no comando para dar aparência de uma democracia e disfarçar as perseguições políticas, ideológicas, torturas e desaparecimento dos opositores do regime.

Logo no início desse período, ainda em 1964, foi decreto o Ato Institucional n°1. Antes, recorde que o Ato Institucional, o AI, eram decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P). 
O AI-1 concedia ao presidente o poder de cassar mandatos, suspender a imunidade parlamentar e a estabilidade nos cargos públicos. Já em 1964, através desse ato conseguiu retirar do jogo político diversos opositores de peso. 
Após as eleições de 1965 o governo emitiu o AI-2 por causa a vitória de partidos de oposição em importantes estados do país. O decreto estabelecia a eleição indireta para presidente e o fim dos diferentes partidos políticos - como o PTB, UDN e PSD - e, em seu lugar, surgia o bipartidarismo. De um lado, o partido de apoio à ditadura, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e do outro, a oposição consentida representada pelo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em 1966, foram decretados o AI-3 e 4. O primeiro estabelecia as eleições indiretas para governadores e prefeitos e o segundo ato estabeleceu o fechamento do Congresso e a elaboração de uma nova Constituição redigida por indivíduos que apoiavam a ditadura.
Perceba que aos poucos o regime tornou-se cada vez mais autoritário e mais fechado. Porém, o golpe definitivo aconteceria com o AI-5, em 1968, já na presidência de Costa e Silva (1967-1969). O ato concedia o direito, por tempo indeterminado, do presidente cassar mandatos, fechar o Congresso, suspender direitos políticos e demitir e apontar funcionários públicos. Além disso, suspendeu o direito de habeas corpus (responder processo em liberdade) e a censura prévia.
O AI-5 foi decretado por um desejo de grupos dentro do exército, chamado de "linha dura", para controlar totalmente a política e anular a oposição. Vale lembrar que a luta armada e seus grupos, como o VPR e o MR-8 eram cada vez mais atuantes e, some-se a isso o questionamento ao regime militar da sociedade civil através de protestos, como a passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro.
O AI-5 estabeleceu também, implicitamente, a tortura como método para conseguir informações sobre os opositores políticos através da do Destacamento de Operações e Informações e do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). É importante destacar que a tortura começou logo no primeiro dia de regime militar e o que houve a partir do AI-5 foi a intensificação dessa tática.

Contudo, em 1969, o Brasil entraria no conhecido "milagre econômico" (1969-1973), um período de forte crescimento econômico e inflação razoavelmente controlada. É possível caracterizar esse "milagre" de diversas maneiras. Foi um momento de expansão das possibilidades de bens de consumo, carros e casa própria, principalmente para a classe média através da facilitação ao crédito e das compras feitar por prestação, ao mesmo tempo que ocorria um sensível crescimento de renda para as classe alta e média da sociedade. Os anos do "milagre" também forma marcados pela forte expansão industrial e das gigantes obras públicas, como a construção da ponte Rio-Niterói e a construção da hidrelétrica de Itaipu. Deve-se ressaltar também que houve um aumento da dependência externa e da dívida externa brasileira porque a expansão industrial foi baseada a partir de empréstimos estrangeiros.
Após o choque do petróleo, em 1973, o Brasil viu a sua dívida externa subir consideravelmente, assim como a partir desse fato histórico chegava ao fim o período do "milagre", motivado também pelo aumento do preço do petróleo e em consequência, o aumento dos custos de produção. Com isso, a ditadura perdeu um de seus principais argumentos para se manter no poder.
Em 1974 começou o processo de abertura política e terminaria apenas em 1985. Lembrem que esse procedimento foi classificado como "lento, gradual e seguro". Em 1975, a censura prévia foi suspensa, em 1978, houve a suspensão do AI-5, isto quer dizer que o presidente perdia o poder de cassar mandatos, demitir/aposentar funcionários públicos, dentre outros aspectos e foi restabelecido o pluripartidarismo. O ARENA tornou o PDS (Partido Democrático Social) e o MDB tornou-se o PMDB que ainda reunia todo tido de oposição aos militares. A novidade no cenário político era o Partido dos Trabalhadores (PT). Agremiação de esquerda política surgido a partir da mobilização da luta sindical e figuras populares no ABC paulista, com a liderança de Luís Inácio "Lula" da Silva.

Além da liberação das formação de novos partidos, em 1979, foi decretada a Lei de Anistia que permitia o retorno dos exilados políticos.

Em 1982 foram realizadas as primeiras eleições diretas desde 1965 para os prefeitos e governadores. Em função disso, surgem no final de 1983 e ganha força e adesão popular no início de 1984 o movimento das "Diretas Já". O movimento queria a aprovação do projeto de lei conhecido como "Emenda Dante de Oliveira" que estabelecia a votação direta para a presidência de República, algo que não acontecia desde 1961. A campanha das "Diretas Já" mobilizou a sociedade civil diversas vezes ao longo de 1984 e em diversos estados brasileiros, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto foi votado no Congresso Nacional e não obteve o número de votos necessários para sua aprovação, logo, as eleições presidenciais seriam mais uma vez indiretas.

 Nesses eleições saíram vitoriosos Tancredo Neves, como presidente da República e José Sarney, como vice-presidente. Com isso, o poder deixava de ser dos militares e voltava para os civis e, assim, estava concluído o processo de abertura política conduzido pelos próprios militares.

É isso
Ufa!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Unid 6 - Cap. 1 e 2 - A Guerra Fria e Independência da Ásia e África

Olá turma
A prova trará os conteúdos dos capítulos 1 e 2 da unidade 6, ok?

Fiz uma cronologia no final porque apareceram muitos anos, mas não se preocupem, eles não serão cobrados na prova.

    O capítulo 1 trata do início da Guerra Fria (1947) e do constante reequilíbrio de forças entre Estados Unidos e União Soviética, as duas superpotências que disputariam a supremacia econômica, política e diplomática por todo o mundo ao longo de quase todo o século XX (1947-1989). Após a guerra a Europa perde sua hegemonia política, e por isso, ambas as potências comandaram a formação de dois blocos antagônicos, o capitalismo representado pelos Estado Unidos e o socialismo pela União Soviética.
    Recordem que esse fato histórico que cobre praticamente todo o século XX recebeu esse nome porque nunca houve um enfrentamento direto entre EUA e URSS. Existiram sim, momentos de maiores tensões entre ambos que quase resultaram em enfrentamento. Porém, os combates eram travados em outros países em função da disputa por espaços de influência ou apenas por um intenso debate ideológico.
    Como já apontado acima a Guerra Fria teve início no ano de 1947 quando, o então presidente dos EUA, Harry Truman defendeu a necessidade de combater o socialismo pelo mundo e deter o seu avanço. Chegava ao fim da aliança entre Estados Unidos e URSS estabelecida durante a guerra para lutar contra a Alemanha nazista. O socialismo encontrava um campo fértil para sua aceitação logo no pós-guerra em razão da intensa destruição e falta de estrutura provocada pelo conflito e, além disso, praticamente todo o leste europeu entrou sobre domínio soviético após 1945.
     Para conter maiores avanços da URSS, os Estados Unidos ainda em 1947 lançam o Plano Marshall, um programa de ajuda econômica para a reconstrução dos países europeus. Pouco tempo depois, em 1949, os EUA formaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar que estabelecia apoio mútuo em caso de ataque soviético. A URSS, por sua vez, também montou um plano de ajuda econômica e aliança militar entre países sobre sua influência. Pelo lado da economia foi lançada, em 1949, o Conselho de Assistência Econômica Mútua (COMECON) que previa a integração (ligação) econômica e incentivo do comércio interno entre os países sob domínio soviético e o Pacto de Varsóvia (1955) estabelecia a aliança militar entre os países europeus sobre influência socialista aos mesmos moldes da OTAN.

Em resumo:
Para o lado dos EUA:

OTAN: aliança militar entre países sob influência capitalista
Plano Marshall: ajuda econômica dos EUA para a reconstrução da Europa (países como Alemanha, França e Inglaterra)

Para o lado da URSS

Pacto de Varsóvia: aliança militar entre URSS e países europeus sob sua influência
COMECON: integração econômica entre os países sob influência socialista


Conforme já mencionado diversas vezes o conflito entre EUA e URSS foi muito mais ideológico do que um confronto direto e quando esses conflitos aconteciam, eles se desenrolavam em regiões periféricas do mundo e sempre com características em comum, isso quer dizer, a disputa por zonas de influência e equilíbrio de forças. Foi assim com a Guerra da Coreia (1950-1953) ou a Guerra do Vietnã (1965-1975), além de várias interferências militares dos Estados Unidos sobre outros países.
    Pelo lado europeu, a manutenção na influência capitalista americana ocorreu através do Plano Marshall e da OTAN porque o mundo passou por uma significativa expansão do regime socialista exemplificada por todo o leste europeu em 1945, a China por meio da Revolução Chinesa em 1949 e a tentativa da Coreia do Norte de expandir sobre a Coreia do Sul em 1950. Por fim, os EUA seriam obrigados a conviver com um governo socialista tão perto do seu próprio território porque Cuba buscou apoio soviético em 1961, para manter a sua revolução nacionalista iniciada em 1959.

Sobre nacionalismo
Por quase metade do século XX ainda existiam no mundo várias colônias, seja na África ou na Ásia. Após as guerras mundiais, principalmente a segunda, o discurso nacionalista de libertação colonial ganharia muito mais força e adeptos nas diversas regiões sobre domínio europeu. Além disso, é importante também destacar como causas do crescimento do nacionalismo e consequente descolonização o discurso de autodeterminação dos povos defendido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e o alto desgaste promovido pela guerra.
A Índia, por exemplo, um dos casos mais famosos de luta pelo fim do controle colonial no início do século XX e a obteria em 1947, com destaque para a liderança de Mahatma Gandhi, defensor de um processo de independência baseada no princípio da não violência, construído, por exemplo, a partir do não consumo dos produtos ingleses ou não pagamento de impostos. O continente africano até os anos 1960 passará também por um intenso processo de descolonização e serão formados praticamente todos os países entre a década de 1950 e 1960, exceto Angola e Moçambique, inseridos em um contexto específico com relação a Portugal. 

Há o caso também da África do Sul. Porém, a luta dos sul-africanos não foi para obter a independência, mas sim para superar o regime do apartheid que estabelecia a segregação espacial entre negros, maioria da população, e os brancos. Essa reivindicação ganharia força nos anos 1950, mas chegaria ao fim somente em 1992 em função da forte pressão interna da própria população e a pressão externa de outros países e do consequente isolamento diplomático que a África do Sul vivia em razão da manutenção da segregação estabelecida por lei. Apenas em 1994 houve a primeira eleição presidencial com o direito de participação de toda a sociedade sul-africana e Nelson Mandela foi consagrado nas urnas, a figura mais proeminente da luta pelo fim do apartheid, e tornou-se o primeiro presidente negro a governar o país.

Devemos retornar ao panorama do mundo nesse contexto: a Guerra Fria. Os EUA e a URSS viam esses novos países que passavam pela libertação colonial como novos espaços para garantir zonas de influência e como os conflitos indiretos aconteceram (e aconteciam) nas regiões periféricas, alguns países buscavam uma posição neutra entre as duas superpotências através da política de não alinhamento. O não-alinhamento foi lançado na Conferência de Bandung, em 1955, na Indonésia e, inicialmente reuniu países como a Iugoslávia, o Egito, a Índia e a Etiópia. Posteriormente, outros países aderiram a esse posicionamento também. Além desse posicionamento independente o não-alinhamento também tinha como pauta o combate ao colonialismo e a recusa aos pactos militares.

Cronologia

Guerra Fria (1947-1989)

1947: lançamento do Plano Marshall
1947: independência da Índia
1949: formação da OTAN
1949: Revolução Chinesa
1949: lançamento da COMECON
1950: Guerra da Coreia (1950-1953) 
1955: Pacto de Varsóvia
1955: Conferência de Bandung e a política do não alinhamento
1959: Revolução Cubana
1965: Guerra do Vietnã (1965-1975)
1992: fim do apartheid
1994: eleição de Nelson Mandela na África do Sul