segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - "Guerra ao Terror" e Primavera Árabe (continuação)

O século XX foi marcado por duas grandes guerras e por uma grande tensão entre os EUA e URSS. Apesar do fim da guerra fria em 1991, os últimos anos do século não seriam sinônimo de paz, assim como o século XXI viveu, até o momento e certo sentido, dias um pouco melhores. A ameaça internacional deixou de ser o comunismo no início dos anos 1990 e, à medida que nos aproximamos dos anos 2000, passou a ser o terrorismo. 
Os Estados Unidos entraram na "Guerra ao Terror" (combate ao terrorismo) a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, realizados pela al-Qaeda de Osama Bin Laden. Os EUA invadiram o Afeganistão em busca da captura de Bin Laden e derrubaram o governo dos fundamentalistas islâmicos do Taleban. A captura e morte do líder terrorista aconteceria apenas em 2011, apesar disso a organização al-Qaeda não deixou de existir. 
Em 2003, os EUA ignoraram a determinação da ONU de não intervenção do Iraque e invadiram o país em busca de supostas armas químicas possuídas pelos país que poderiam ser vendidas para grupos terroristas. Mesmo com a invasão e da derrubada do poder de Saddam Hussein não ficaram comprovadas a existência de vínculos do governante com grupos terroristas, nem a posse de armas químicas ou de destruição em massa. Na verdade, o interesse dos EUA estava no subsolo: petróleo. O Iraque possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e hoje é comandada por diversas empresas do ramo dos Estados Unidos. Vale destacar também que o próprio presidente na época, George W. Bush, tinha relações muito próximas com essas mesmas empresas.
Apesar da ação americana contra o crescimento do terrorismo no mundo, a "Guerra ao Terror" não deu fim ao atentados. Em 2004 foram realizados ações terroristas em Madri (Espanha) e em 2005 em Londres (Inglaterra), dentre outros em diversos países.

Os conflitos entre Palestina e Israel também não foram resolvidos até o presente e foram adicionados elementos que desestabilizam ainda mais a região, como a formação de grupos fundamentalistas islâmicos, como o Hamas da palestina e do Hezbollah, no Líbano, ambos vizinhos de Israel e a recorrente ação de grupos terroristas, como a própria al-Qaeda e do Estado Islâmico, presente em vários países.

Contudo, houve uma novidade a partir de 2010 no mundo árabe. Um movimento iniciado na Tunísia por melhor qualidade de vida, mais liberdades e direitos se espalhou para o Egito e alcançou diversos países, como a Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, dentre outros. Essa fato histórico ficou conhecido como Primavera Árabe. O Ocidente acompanhou as manifestações nesses países principalmente a partir de meios eletrônicos, como o Facebook e o Twitter, utilizados pelos jovens para espalhar suas ideias e seus desejos e para divulgar as ações de repressão dos governos aos movimentos. 
Em todos esses países percebemos diferentes consequência em cada um deles. Apesar de registrar mortes a Tunísia passou por um processo mais pacífico do que os outros e em 2014 conseguiu formar um governo democrático e conciliado com um islã político, além de aprovar uma Constituição com maiores liberdades políticas e mais igualitária. As manifestações no Egito provocaram as primeiras eleições presidenciais em 30 anos. O presidente eleito não conseguiu realizar as mudanças pedidas pela população e por isso, novas manifestações foram registradas e novo presidente foi deposto. Na Líbia houve a derrubada do ditador de Muammar Kadafi e na disputa pelo poder, o país mergulhou em guerra civíl. O mesmo é constatado na Síria do ditador Bashar al-Assad que resiste no poder ao utilizar o aparato militar e policial contra os civis opositores do regime. É o que chamamos de guerra civil.
É isso tudo! : (

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - Fim da Guerra Fria e tensões no mundo árabe

Olá turma,
esse post fecha o conteúdo da prova. É uma parte bem extensa porque, de certa forma, cobriremos acontecimentos de 1947 até 2003.
O livro didático divide os assuntos tratados nesse post, mas eu preferi juntá-los porque eles estão muito relacionados. O cap. 1 da Unid. 8 - trata mais de fatos entre EUA e URSS, assim como o fim da guerra fria e o cap. 2 aborda exclusivamente a questão judaico-palestina. Como já mencionado ambos os caps tem pontos de contato, por isso, fiz em um post e quase em ordem cronológica. Achei que seria mais fácil assim.

Vamos lá!

Nós saímos do Brasil e da ditadura militar e voltamos nossa atenção para acontecimentos mundiais. Estávamos em 1985, mas precisaremos voltar ao tempo para 1947.
Nesse momento o mundo saiu de um dos maiores conflitos já vistos na história, pois em 1945 a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim após a derrota da Alemanha nazista e do lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
É muito conhecida a perseguição e eliminação dos judeus posta em prática ao longo do conflito e a consequente comoção mundial provocada após a descoberta dos campos de concentração espalhados por vários países do continente europeu, dentre eles, o mais conhecido foi Auschwitz, na Polônia.
Dentro desse contexto de fim da guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) justamente para mediar conflitos entre as nações e tentar impedir o surgimento de novos conflitos da mesma proporção da Segunda Guerra. Foi nesse organismo multinacional - porque praticamente todos os países do mundo estão representados na ONU - ganhou força o discurso sionismo que defendia a união de todos os judeus em um Estado.
A região escolhida para a criação desse Estado foi a Palestina, de maioria muçulmana e minoria judaica e sob controle da Grã-Bretanha naquele momento. O lugar é historicamente importante para os judeus antes mesmo da dominação romana, no século II d.C. Em 1947, a ONU aprovou a divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe-palestino e em 1948 foi anunciada a criação do Estado de Israel.
Imediatamente os palestinos e os demais países árabes da região, já insatisfeitos com a divisão de territórios, entraram em conflito com o recém criado Estado. Porém, outras guerras colocaram árabes e judeus em campos opostos, em 1956, houve a Guerra de Suez, em 1967, a Guerra dos Seis Dias e, finalmente, em 1973, a Guerra do Yom-Kippur. Não comentaremos cada uma dessas guerras, mas é importante lembrar uma impactante consequência do conflito de 1973. O que todos esses embates tiveram em comum foi a gradual expansão das fronteiras de Israel sobre território palestino. (Olhem o livro na página 211 para visualizarem isso.) O mais marcante deles foi a ocupação de territórios palestinos por Israel em resposta à ação palestina no Yom-Kippur. Por outro lado, os países árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, dentre outros, aumentaram o preço do petróleo. Essa medida da OPEP ficou conhecida como o choque do petróleo e afetou a economia mundial porque o produto e seus derivados compõem diversos setores da economia e o aumento do preço levou ao aumento dos custos de produção.

Em 1979, o mundo passaria por um segundo choque do petróleo em função da Revolução Islâmica, no Irã. No mesmo ano, os xiitas - uma vertente do islamismo - derrubou o governo de Reza Pahlevi que tinha orientação mais próxima dos Estados Unidos e do Ocidente e em seu lugar foi posto o aiatolá Khomeini que proclamou a República e passou a combater as influências ocidentais no país e se distanciou dos Estados Unidos. Em resposta, os EUA deram apoio militar ao Iraque de Saddam Hussein para combater o Irã. Esse conflito ficou conhecido com Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Em resposta à ação americana a OPEP realizou mais um aumento no preço do produto, o que ocasionou o segundo choque do petróleo.

Por causa desse novo choque, os Estados Unidos no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e a Grã-Bretanha, comandada pela Margaret Thatcher (1979-1990) deram início ao desmonte do Estado de Bem Estar Social que existia desde o final da Segunda Guerra Mundial e iniciaram o neoliberalismo. Essa visão econômica defende a menor participação do Estado na economia e isso se traduziu no fim do controle dos preços pelos governos, a redução de impostos (para os empresários!), menos regulamentação na relação de trabalho, a abertura à investimentos estrangeiros e a venda de empresas públicas (privatização). 

A década de 1980 foi marcada por muitas mudanças no contexto mundial.  No plano econômico ficou constatado a gradual redução do crescimento econômicos nos EUA e Europa e adoção cada maior da política econômica neoliberal. O Brasil - e a América Latina de modo geral - entraram em forte crise econômica sem crescimento e, no nosso caso, com forte alta da inflação. Lembrem-se que eram os últimos anos da ditadura também.

Além de iniciarem o neoliberalismo, os EUA deram início também à nova corrida armamentista com a instalação de mísseis em países europeus que poderiam alcançar a URSS. Foi implantado também o programa "Guerra nas Estrelas", capaz de interceptar, pelo espaço, eventuais mísseis lançados pela URSS contra os EUA. Os soviéticos tentaram acompanhar esse nova corrida com os Estados Unidos, como fizeram nos anos 1950 e 1960, mas os tempos eram outros, e o governo e a economia soviética davam claros sinais de desgaste. Os EUA tiveram sucesso porque eram investimentos feitos praticamente pelas indústrias privadas de armamentos, enquanto na URSS os recursos vinham do Estado cada vez mais em debilitado.

 Foi justamente a situação econômica da União Soviética que motivou mudanças políticas e econômicas durante o governo de Mikhail Gorbachev (1985-1991). O objetivo principal das medidas postas em prática eram modernizar e reestruturar o Estado soviético. No entanto, consequências imprevistas se desenrolaram. Gorbachev colocou em prática a glasnost que previa o fim da censura, a liberdade religiosa e libertação dos presos políticos e o combate à corrupção e dos privilégios entranhada na alta cúpula do governo e também do Partido Comunista. Logo, tratava-se de um programa de abertura política. Ao mesmo tempo foi posta em prática a perestroika que permitia a abertura econômica para empresas e investimentos estrangeiros.
A glasnost e perestroika que buscavam modernizar a URSS acabaram decretando o seu fim. Em 1989, o famoso muro de Berlim, um dos maiores símbolos da guerra fria foi derrubado pelos próprios alemães. No ano seguinte, países como a Polônia e a Tchecoslováquia anunciaram a sua separação da União Soviética e, finalmente, 1991, diversos países declaram-se independentes. Com isso, a URSS chegou ao fim e, ao mesmo tempo a Guerra Fria.
Logo, é possível afirmar que a maior consequência da implantação das glasnost e perestroika foi o fim da União Soviética e ao mesmo tempo, no política externa, o término da Guerra Fria.

continua...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Unidade 7 - Cap. 1 - Os anos de chumbo

Olá olá
turma, nossa matéria de av1 é gigaaaaaaaaaaante. Porque o conteúdo é a Unidade 7 e a Unidade 8, capítulos 1 e 2 + um pequeno trecho do capítulo 3. Este post é apenas da ditadura militar no Brasil (unid. 7), ok?
Tentarei fazer um resumão sobre tudo e é altamente indicado estudar porque aqui mesmo, o livro é muito extenso.

A ditadura militar no Brasil começou em 1964 e se prolongaria até 1985. Recorde que esse período teve início a partir do momento que os militares, motivados pelo discurso de livrar o país do comunismo e da corrupção, deram um golpe contra o presidente eleito João Goulart e seu lugar foi posto o general Humberto Castello Branco (1964-1967). Devemos destacar também para características muito específicas da nossa ditadura, como a manutenção do funcionamento do Congresso pelos quase 21 anos de regime militar e a mudanças de presidentes ao longo de todo esse período. Além disso, existiram ainda os Atos Institucionais (AI). Decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República e que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P).
 Contudo, essas três característica da ditadura eram apenas estratégia daqueles que estavam no comando para dar aparência de uma democracia e disfarçar as perseguições políticas, ideológicas, torturas e desaparecimento dos opositores do regime.

Logo no início desse período, ainda em 1964, foi decreto o Ato Institucional n°1. Antes, recorde que o Ato Institucional, o AI, eram decretos-leis emitidos pelo próprio presidente da República que não precisavam da aprovação do Congresso. Como isso era possível? Simples. Estamos falando de uma ditadura! Vimos os atos até o AI-5 para demonstrar que, aos poucos, aquela intervenção militar, considerada como algo provisória e passageira, se prologou por muitos e muitos anos e cada vez mais autoritária (Na prova, teremos o AI-2 e o AI-5, fica a dica : P). 
O AI-1 concedia ao presidente o poder de cassar mandatos, suspender a imunidade parlamentar e a estabilidade nos cargos públicos. Já em 1964, através desse ato conseguiu retirar do jogo político diversos opositores de peso. 
Após as eleições de 1965 o governo emitiu o AI-2 por causa a vitória de partidos de oposição em importantes estados do país. O decreto estabelecia a eleição indireta para presidente e o fim dos diferentes partidos políticos - como o PTB, UDN e PSD - e, em seu lugar, surgia o bipartidarismo. De um lado, o partido de apoio à ditadura, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e do outro, a oposição consentida representada pelo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em 1966, foram decretados o AI-3 e 4. O primeiro estabelecia as eleições indiretas para governadores e prefeitos e o segundo ato estabeleceu o fechamento do Congresso e a elaboração de uma nova Constituição redigida por indivíduos que apoiavam a ditadura.
Perceba que aos poucos o regime tornou-se cada vez mais autoritário e mais fechado. Porém, o golpe definitivo aconteceria com o AI-5, em 1968, já na presidência de Costa e Silva (1967-1969). O ato concedia o direito, por tempo indeterminado, do presidente cassar mandatos, fechar o Congresso, suspender direitos políticos e demitir e apontar funcionários públicos. Além disso, suspendeu o direito de habeas corpus (responder processo em liberdade) e a censura prévia.
O AI-5 foi decretado por um desejo de grupos dentro do exército, chamado de "linha dura", para controlar totalmente a política e anular a oposição. Vale lembrar que a luta armada e seus grupos, como o VPR e o MR-8 eram cada vez mais atuantes e, some-se a isso o questionamento ao regime militar da sociedade civil através de protestos, como a passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro.
O AI-5 estabeleceu também, implicitamente, a tortura como método para conseguir informações sobre os opositores políticos através da do Destacamento de Operações e Informações e do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). É importante destacar que a tortura começou logo no primeiro dia de regime militar e o que houve a partir do AI-5 foi a intensificação dessa tática.

Contudo, em 1969, o Brasil entraria no conhecido "milagre econômico" (1969-1973), um período de forte crescimento econômico e inflação razoavelmente controlada. É possível caracterizar esse "milagre" de diversas maneiras. Foi um momento de expansão das possibilidades de bens de consumo, carros e casa própria, principalmente para a classe média através da facilitação ao crédito e das compras feitar por prestação, ao mesmo tempo que ocorria um sensível crescimento de renda para as classe alta e média da sociedade. Os anos do "milagre" também forma marcados pela forte expansão industrial e das gigantes obras públicas, como a construção da ponte Rio-Niterói e a construção da hidrelétrica de Itaipu. Deve-se ressaltar também que houve um aumento da dependência externa e da dívida externa brasileira porque a expansão industrial foi baseada a partir de empréstimos estrangeiros.
Após o choque do petróleo, em 1973, o Brasil viu a sua dívida externa subir consideravelmente, assim como a partir desse fato histórico chegava ao fim o período do "milagre", motivado também pelo aumento do preço do petróleo e em consequência, o aumento dos custos de produção. Com isso, a ditadura perdeu um de seus principais argumentos para se manter no poder.
Em 1974 começou o processo de abertura política e terminaria apenas em 1985. Lembrem que esse procedimento foi classificado como "lento, gradual e seguro". Em 1975, a censura prévia foi suspensa, em 1978, houve a suspensão do AI-5, isto quer dizer que o presidente perdia o poder de cassar mandatos, demitir/aposentar funcionários públicos, dentre outros aspectos e foi restabelecido o pluripartidarismo. O ARENA tornou o PDS (Partido Democrático Social) e o MDB tornou-se o PMDB que ainda reunia todo tido de oposição aos militares. A novidade no cenário político era o Partido dos Trabalhadores (PT). Agremiação de esquerda política surgido a partir da mobilização da luta sindical e figuras populares no ABC paulista, com a liderança de Luís Inácio "Lula" da Silva.

Além da liberação das formação de novos partidos, em 1979, foi decretada a Lei de Anistia que permitia o retorno dos exilados políticos.

Em 1982 foram realizadas as primeiras eleições diretas desde 1965 para os prefeitos e governadores. Em função disso, surgem no final de 1983 e ganha força e adesão popular no início de 1984 o movimento das "Diretas Já". O movimento queria a aprovação do projeto de lei conhecido como "Emenda Dante de Oliveira" que estabelecia a votação direta para a presidência de República, algo que não acontecia desde 1961. A campanha das "Diretas Já" mobilizou a sociedade civil diversas vezes ao longo de 1984 e em diversos estados brasileiros, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto foi votado no Congresso Nacional e não obteve o número de votos necessários para sua aprovação, logo, as eleições presidenciais seriam mais uma vez indiretas.

 Nesses eleições saíram vitoriosos Tancredo Neves, como presidente da República e José Sarney, como vice-presidente. Com isso, o poder deixava de ser dos militares e voltava para os civis e, assim, estava concluído o processo de abertura política conduzido pelos próprios militares.

É isso
Ufa!