segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Guerra Fria (1947-1991)

Turma,
a matéria da nossa AVI são os seguintes:
Capítulo 9: Segunda Guerra Mundial
Capítulo 10: Guerra Fria

     Ao fim da Segunda Grande Guerra, em 1945, o mundo convive com duas superpotências, de um lado os Estados Unidos, do outro, a União Soviética (URSS). E o que exatamente o termo "guerra fria"? Bem, houve uma aliança entre EUA, Inglaterra e URSS para derrotar a Alemanha nazista. Vencida a guerra e o inimigo comum destruído, o então presidente dos Estados Unidos, Harry Truman decide pelo fim da cooperação com a URSS. Isso ficou conhecido como "Doutrina Truman" e marca o início da "guerra fria". Esse momento da História é assim chamada porque a possibilidade de conflito entre EUA e URSS era real, mas as chances de se tornar um conflito direto entre ambos eram pequenas porque isso causaria a destruição total de ambos e do mundo. Por isso, a "guerra fria" é muito mais um conflito de ideias entre capitalismo (EUA) e socialismo (URSS).
     A "guerra fria" foi um episódio da História da humanidade que gerou consequências em praticamente globais, isso quer dizer que, de algum modo, todos os países sofreram algum tipo de influência desse "conflito". Um dos efeitos mais estudados é a divisão da Alemanha porque o país foi dividido entre os Aliados que lutaram contra os alemães, ou seja, EUA, Inglaterra, França e URSS. Em 1949, ficou estabelecido que a Alemanha seria dividida em duas partes, de um lado a Alemanha Ocidental denominada de República Federal Alemã, região do território libertada pelos aliados, por isso, esse lado manteve-se capitalista. Do outro lado, a Alemanha Oriental chamada de República Democrática Alemã, como essa parte do território foi libertada pelos soviéticos, esse lado entrou na zona de influência da URSS, tornando-se socialista.
Anos depois, em 1961, foi construído o muro de Berlim. O muro dividia a cidade em duas partes, assim como a Alemanha, o lado ocidental capitalista e o lado oriental socialista.

Que outras consequências temos da "guerra fria"?
Do lado capitalista, temos o Plano Marshall (1947). Tratava-se de uma ajuda econômica dos Estados Unidos para a recuperação dos países europeus no pós-guerra. O objetivo dos EUA era impedir qualquer avanço maior dos soviéticos (afinal, os soviéticos dominaram todo o Leste Europeu na luta contra a Alemanha) e esse socorro tinha o objetivo de manter os países europeus em sua zona de influência.
Temos também o pacto militar formado entre EUA, Canadá e alguns países europeus, a OTAN (1949) Organização do Tratado do Atlântico Norte para a defesa mútua. Na América, temos a Organização dos Estados Americanos (OEA) de 1948 para reunir os países da América e criar uma cooperação entre eles.
Ainda pelo lado econômico temos o Mercado Comum Europeu, (MCE) de 1957. Trata-se uma organização econômica para reunir alguns países da Europa e integrar as suas economias. Esse órgão foi deu origem ao que hoje conhecemos como União Europeia.

Do lado soviéticos, temos o Pacto de Varsóvia (1955), um pacto militar e é o equivalente da OTAN e o Conselho de Assistência Mútua, (COMECON) de 1949, e é um equivalente do MCE, mas para os países sobre influência soviética.

Revolução Chinesa (1949)
A partir da invasão japonesa no contexto da Segunda Grande Guerra houve maior espaço para o desenvolvimento do movimento comunista e quando o conflito terminou nacionalistas e comunistas se enfrentaram pelo controle do governo. Em 1949, a capital da China, Pequim, (Beijing) foi ocupada pelos comunistas, derrotando os nacionalistas. Apesar de não ter incentivado, a URSS declarou apoio ao novo regime comunista.
Revolução Cultural (1966): trata-se do fechamento da China para influências estrangeiras. O país se abriria para o mundo novamente apenas nos anos 1980, com a morte de Mao-Tse Tung, o líder do partido comunista chinês que governava a China.

Guerra da Coreia (1950-1953)
Foi um dos episódios mais tensos da guerra fria. Assim como ocorrera na Alemanha, a Coreia foi libertada pelos Estados Unidos e URSS do domínio japonês. O sul ficou sobre controle dos EUA e o norte da URSS. Os comunistas do norte, influenciados pela China comunista, invadiram o sul com o objetivo de expandir o comunismo. Os Estados Unidos reagiram militarmente e empurraram as tropas comunistas para o norte novamente. Pelo armistício assinada pelos países, ficou estabelecida a divisão do país entre Coreia do Norte (comunista) e Coreia do Sul (capitalista). Até hoje os países encontraram-se em estado de guerra e o país do norte é um dos mais fechados do mundo, com forte controle de informação sobre o que acontece no país.  
Lembrem-se da definição de "guerra fria", há sempre a possibilidades de conflitos indiretos entre EUA e URSS. No caso da Coreia, houve uma guerra entre EUA e a China, com discreto apoio da URSS, mas não foi um conflito entre EUA e URSS.

Ainda nesses primeiros anos, os EUA realizou uma forte perseguição aos comunistas no país, o que ficou como macartismo ou "caça às bruxas". Isso foi criado pelo senador americano Joseph McCarthy. O político era um forte opositor no país e deu início a essa paranoia de investigar as pessoas suspeitas de envolvimento com o comunismo. A vida de muitas pessoas foram devassadas apenas pela suspeita de defenderem o comunismo, muitas delas chegaram a perder o emprego.

Após esses primeiros anos, a "guerra fria" entrou na era da "coexistência pacífica". Isso quer dizer que EUA e URSS viram a possibilidade de ambos existirem ao mesmo tempo e, inclusive, tem início uma política de aproximação entre ambos, demonstrada pela visita mútua de ambos os chefes de Estado em cada país, como a visita de Nikita Kruschev, líder soviético aos EUA, quando este era governado por Kennedy e, depois, em 1972, pela visita do presidente dos EUA, Richard Nixon, à URSS. Enfim, é um relaxamento nas tensões entre URSS e EUA.

Revolução Cubana (1959)
A ilha de Cuba, até então histórica zona de influência dos Estados Unidos torna-se socialista. O governo de Cuba era uma ditadura (capitalista) e várias empresas norte-americanas controlavam a economia cubana. Os EUA não viram com bons olhos a passagem para o socialismo de um território tão próximo de seu país. Além disso, em 1949 a China se tornara comunista e em 1953 a Coreia foi divida. Para os americanos, isso era prova do avanço soviético. Por isso, os estadunidenses tentaram impedir a revolução enviando tropas para invadir a ilha. Porém, o exército dos EUA não tinha boas condições para lutar uma guerra de guerrilha. Esse tipo de conflito não favorece exércitos bem equipados porque os residentes combatentes têm a vantagem de conhecer o terreno onde estão lutando e porque as forças de guerrilha estão extremamente móveis, elas podem se mover de um lugar para outro de modo rápido e sem ser percebida. Por isso, os Estados Unidos não tiveram sucesso nessa investida militar.
Em 1962 Cuba esteve no centro de um dos momentos mais tensos da Guerra Fria. Os EUA descobriram um plano de instalação de mísseis da URSS na ilha e isto provocou uma forte reação americana, exigindo que esses mísseis não fossem instalados. Na verdade, a URSS tentavam responder a instalação de mísseis americanos em alguns países europeus. Este episódio ficou conhecido como a "crise dos mísseis".
Guerra Fria na América Latina
Entre os anos 1960 e 1970 diversas ditaduras foram implantadas nos países da América Latina. Países como Brasil, Argentina, Uruguai e Chile viveram momentos que os regimes democráticos foram derrotados. Muitas delas tiveram apoio direto dos Estados Unidos através de apoio com recursos e armamentos. Os EUA queriam evitar que outros países seguissem o mesmo caminho que Cuba. Na verdade, pelo menos no Brasil, havia um amplo debate sobre reformas fundamentais que precisavam ser feitas (e não foram feitas até hoje!) como a reforma agrária e política e reivindicação por melhorias sociais. Porém, discutir tais ideias no contexto da Guerra Fria era o mesmo que ser taxado de socialista.
Para manter esses países americanos sobre influência os EUA desenvolveram o programa "Aliança para o progresso" que consistia em dar apoio em dinheiro para esses países. O Brasil recebeu recursos desse programa.
Estudaremos melhor esse contexto no Brasil daqui há algumas semanas.

domingo, 24 de agosto de 2014

Segunda Grande Guerra (1939-1945)

Turma, essa
Essa é a primeira parte da matéria da AVI.

     A II Guerra é uma continuação da antecedente. Isso porque a Primeira Grande Guerra reforçou questões mal resolvidas entre os países, principalmente entre a França e a Alemanha. Lembrem-se que o Tratado de Versalhes de 1918, que pôs fim ao primeiro conflito mundial considerou a Alemanha culpada pela guerra e estabeleceu uma série de punição aos alemães, incluindo, pagar indenizações ao ganhadores, a França e a Grã-Bretanha (Inglaterra).
      Não podemos esquecer também que a Alemanha, desde 1933, era comandada pelo regime Nazista. O nazismo e, podemos ressaltar, dentre outras características, o seu aspecto bélico e expansionista; quer dizer, seu espírito de guerra e de ocupar outras regiões. A Alemanha nazista e a Itália fascista ocuparam outras regiões que não faziam parte do seu território, mas a expansão alemã que deu início ao segundo conflito mundial. Em 1938, A Alemanha de Hitler avança sobre Áustria e anexa o país sem disparar um tiro. No mesmo ano, os alemães avançam sobre os Sudetos, na Tchecoslováquia. 
      Porém, nessa anexação, há reação da Inglaterra e da França. Esses dois países e a Alemanha se reúnem em Munique na tentativa de frear o avanço alemão. Inglaterra e França entregaram a Tchecoslováquia à Hitler e exigiram que a Alemanha não fizesse mais avanços. Essa concessão dos ficou conhecida como "Política de Apaziguamento". Uma tentativa de não entrar em guerra com a Alemanha porque a Primeira Grande Guerra (1914-1918) ainda estava viva na memória dos europeus atingidos e também porque o conflito atingiu números até inéditos em termos de mortalidade, custos e destruição. Além disso, a Inglaterra não tinha muitos recursos para enfrentar a Alemanha por causa da Primeira Guerra e também por causa da crise de 1929.
     A Alemanha, por outro lado, conseguiu em 1939 um tratado com a União Soviética (URSS) - comandada por Stalin - de não agressão. Algo vantajoso para ambos os lados, embora provavelmente não durasse por muito tempo. Com esse tratado a Alemanha eliminava a possibilidade de enfrentar a União Soviética e ter que dividir as suas forças. Por sua vez, Stalin evitava um entrar em conflito sozinho contra a Alemanha.
     Em setembro de 1939 as tropas alemães invadem a Polônia e, com isso, quebram o acordo da Conferência de Munique e, por isso, Inglaterra e França se veem obrigados a declarar a guerra. Em pouco tempo fica evidente a superioridade da máquina de guerra alemã e sua força através da tática do blizkrieg (=guerra relâmpago) com o objetivo de realizar ataques rápidos para reduzir as baixas e reduzir a possibilidade de reação inimiga. Em 1940, a Alemanha já havia dominado vários países da Europa, incluindo a França. Por isso, o país foi dividido em dois. O Norte estava ocupado pelas tropas nazistas e o Sul formou um governo de colaboração com os alemães, a Repúblic de Vichy. Ao mesmo tempo surge o movimento de resistência francesa, liderado pelo general Charles de Gaulle. 
     Após a França, faltava a Inglaterra. Porém, o país é uma ilha. Por causa disso, Hitler optou por bombardear fortemente o país, principalmente Londres, para forçar uma rendição. Mas os ingleses resistiram e a Real Força Área (RAF, em inglês) teve papel muito importante nessa resistência. 
     Enquanto isso, do outro lado do mundo, os Estados Unidos são empurrados para a II Grande Guerra por causa do ataque surpresa japonês a base naval americana de Pearl Harbor, no Hawaii (1941). O Japão já havia dominado a China e parte do Sudeste Asiático e avançava sobre área de influência dos EUA. Após essa ataque os japoneses declaram guerra aos EUA. Este fato marca a entrada dos norte-americanos no conflito.

    Por outro lado, na Europa, o conflito ganhava outra frente de batalha porque a Alemanha decide quebrar o pacto de não-agressão estabelecido com a URSS e a invade. Porém, o rigoroso inverno russo e a tática de "terra arrasada" dificultam a ação das tropas alemãs e na virada de 1942-1943 os soviéticos impõem a primeira derrota à Alemanha. A partir desse momento, Stalin, o chefe da URSS, determina o avanço do exército soviético até a capital da Alemanha, Berlim. 
    Do lado Ocidental é firmada a aliança entre os Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética (URSS) para combater a Alemanha e enquanto isso, nos campos de batalha, a Itália decide se retirar da guerra.
Em 1944, o ocorre o "Dia D" (Dia da Decisão). Trata-se de uma das maiores operações de guerra já realizadas e foi o dia que marcou o desembarque das tropas aliadas na Normandia, no Norte da França. A partir desse momento, a desgastada máquina de guerra da Alemanha lutava em duas frentes no conflito. De um lado contra americanos e ingleses e, do outro, contra os soviéticos. Por causa do avanço dos aliados e do imenso desgaste a Alemanha, em 1945, Berlim cai sobre domínio das tropas Aliadas e poucos dias depois a Alemanha declara a sua rendição.
No entanto, a guerra continuava no Oriente porque o também desgastado Japão ainda não havia se rendido e não dava sinais de que faria isso. Por isso, o Projeto Manhattan foi testado em Hiroshima. Esse projeto desenvolveu secretamente a bomba atômica. Para os Estados Unidos, usar a bomba contra as cidades japoneses foi o meio encontrado (por eles) para obrigar a rendição do país e evitar um grande número de baixas nas tropas estadunidenses e dar um fim, de fato, para a Segunda Grande Guerra. É certo que Hiroshima e Nagasaki eram importantes cidades no abastecimento militar, porém, ali também habitavam milhares de civis japoneses. Porém, isso não foi levado em consideração pelos EUA e as maiores bombas que o mundo já vira foram lançadas sobre as cidades, destruindo-as.

Usar a bomba atômica nesse momento era um recado dos EUA e URSS no sentido de demonstrar poder de guerra para os soviéticos. Curiosamente, pouco tempo depois, aliança estabelecida entre os dois para combater o inimigo comum, a Alemanha, é desfeita, e ambos protagonizam o que chamamos de Guerra Fria.