Temas abordados
a) Canudos, Cangaço e Contestado
b) Reforma Pereira Passos/Revolta da Vacina
c) Revolta da Chibata
d) Movimento Operário
Movimento Rurais
Cangaço
A existência do Cangaço (ou dos cangaceiros) é resultado das condições econômicas e sociais do Nordeste brasileiro. Tratava-se de bandos armados que circulavam pelo interior em fazendas e cidades em busca de armamentos, munição, dinheiro e roupas. Muitas vezes esses grupos eram relacionados com os coronéis e não foram raras as vezes em que esses grupos eram protegidos por eles e até mesmo agiam na eliminação de inimigos políticos dos coronéis. Existiram vários grupos de cangaceiros, mas o mais famoso grupo foi o de Lampião e Maria Bonita.
Messianismo
Podemos definir como movimentos populares liderados por pessoas extremamente religiosas que percorriam o interior do país. Foram necessárias algumas condições para o surgimento de movimentos desse tipo, como forte controle da terra, a ação dos coronéis, a situação de grande pobreza da população e a forte religiosidade popular. Vamos para os exemplos .
Canudos
Canudos, assim como o Cangaço, também é fruto do contexto nordestino.
Antônio Conselheiro foi o líder do movimento. Teve uma educação formal e sabia ler e escrever. Passou a peregrinar pelo interior do Nordeste e, por isso, reuniu vários fiéis até se estabelecer na cidade de Belo Monte, em 1893. A comunidade se desenvolveu desvinculada das grandes propriedades, dos senhores rurais e, consequentemente, do coronelismo. A terra cultivada era de uso coletivo e seus produtos divididos por todos. Por ser independentes dos coronéis da região e por seu líder Antônio Conselheiro contestar certos valores republicanos, a comunidade de Canudos foi acusada de monarquista. Fato que abriu caminho para a repressão porque o momento era de muita incerteza já que a República ainda não estava de fato garantida porque outros grupos desejavam outros caminhos. Foram necessárias 4 expedições para a destruição de Canudos e cada empreitada militar da Bahia e do Rio de Janeiro contou com cada vez mais homens e armamentos. O conflito de Canudos durou quase 1 ano e só chegou ao fim em outubro de 1897, depois da total destruição da região e da morte de seu líder.
Agora saímos do Nordeste e vamos para o Sul.
A Guerra do Contestado (1912-1916)
Esse movimento não é tão fácil de entender.
O conflito ocorreu em um território disputado entre Paraná e Santa Catarina. É daí que surgiu o nome da guerra, porque ela se desenvolveu em lugar contestado. Devemos lembrar também que a região também era muito cobiçada pelos coronéis interessados na produção do gado e erva-mate. Para completar o cenário, nesse momento houve a construção da estrada de ferro que ligaria o Rio Grande do Sul a São Paulo e a companhia encarregada de fazer a obra ganhou do governo o direito de exploração das margens ao longo de todo o caminho de ferro. Esse fato ocasionou o desalojamento de várias pessoas por não terem o título de propriedade das terras ocupadas.
Ao mesmo tempo um beato que atendia pelo nome de José Maria atraía os expulsos de suas terras, assim como os pobres. Ele anunciava o fim do mundo pela "guerra de S. Sebastião" e assim como Antônio Conselheiro, era um crítico da República. José Maria e seus seguidores se instalaram em Taquaraçu em Santa Catarina. Porém, os poderosos ameaçavam o grupo e logo foram atacados pelas forças de Santa Catarina. Por isso, o grupo se deslocou para o Paraná.
Lembra que havia uma disputa territorial entre PR e SC? Pois é! Os paranaenses entenderam a entrada do grupo de José Maria como uma invasão dos catarinenses e também atacou os fiéis, matando, inclusive, o líder do movimento. Apesar da morte de José Maria ainda em 1912, o movimento se estenderia até 1916 porque surgiram várias cidades que resistiam aos ataques policiais e por causa do surgimento de supostos videntes que receberiam instruções de José Maria. A guerra do Contestado contou com a participação das polícias de SC, PR e ainda com o exército. A repressão massacrou praticamente todos que resistiram.
Passemos para a cidade. Talvez a principal revolta tenha acontecido no contexto da Reforma Pereira Passos
Reforma Pereira Passos (Rio de Janeiro - 1904)
As reformas do prefeito de Pereira Passos são várias obras realizadas na cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de modernizar, urbanizar e higienizar a capital da República. Essas mudanças tinham fortes influencias de ideias europeias, principalmente, francesas. A ideia dessas obras era dar ares europeus para a principal cidade do país, até então tomadas por casarões velhos e por diversas doenças como a febre amarela, peste bubônica e varíola. Com isso, buscava-se também mudar a imagem do Rio de Janeiro no exterior porque a cidade era extremamente mal vista por suas constantes epidemias e consequente alta mortandade. Havia também o interesse de melhorar a circulação de mercadorias pela cidade.
Uma das principais obras realizadas no período foi a abertura da Av. Central (hoje Av. Rio Branco). Porém, para realizá-la foi preciso derrubar os diversos cortiços ocupados por diversas famílias pobres existentes na região. (Isso ficou conhecido como política do "bota abaixo"). A população dessa região foi ocupar o morro da Favela (hoje Morro da Providência), fato que contribuiu para o crescimento da favelização na cidade do Rio. Logo, podemos dizer que essas obras buscavam também expulsar a população pobre do centro e transformá-lo em um espaço de circulação para a elite carioca.
(Reformas urbanas realizadas na cidade do Rio de modo autoritário e sem ouvir a população afetada por essas obras..........alguma semelhança com o que acontece(u) com as reformas vistas hoje na cidade para Copa/Olimpíada???)
Revolta da Vacina (1904)
Como mencionado acima a ideia era também higienizar a cidade. Urbanizar e higienizar eram ideias que andavam juntas. O governo brasileiro, visando controlar a varíola, estabeleceu a obrigatoriedade de vacinação contra a doenças. Porém, estamos falando de um contexto no qual a política de vacinação não contava com ampla informação e conscientização. Não eram todos que se vacinavam no início do século XX, embora as campanhas de vacinação datassem desde a segunda metade do século XIX. Além disso, as condições de armazenamento e distribuição das vacinas no XIX eram bastante precárias e, por isso, algumas pessoas acabavam desenvolvendo a doença contra a qual tinham sido vacinadas!
Diante dessa situação e de toda a política autoritária de urbanização e higienização houve a explosão da revolta popular quando o governo federal estabeleceu a obrigatoriedade da vacinação. Os sanitaristas eram podiam contar com o acompanhamento policial para garantir a vacinação das pessoas. Por mais de uma semana a cidade do Rio de Janeiro entrou no caos! A revolta foi extramente forte e, além do povo nas ruas, havia também os monarquistas e republicanos autoritários que pretendiam dar um golpe no governo e, com isso, chegar ao poder. A situação foi controlada somente quando o governo recuou da obrigatoriedade da vacinação.
Revolta da Chibata (1910)
A Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, foi uma revolta ocorrida na Marinha e reivindicava o fim dos castigos físicos na corporação. A maioria dos marujos eram provenientes das camadas mais pobres da população, a maioria negros. Logo, é fácil entender o porquê desse levante. Os castigos físicos (as chibatadas) lembravam o tempo da escravidão, ainda muito vivo na memória do país, pois a abolição da escravidão havia ocorrido apenas há 22 anos, em 1888. Logo, estamos falando muito provavelmente de filhos de escravos castigados por chibatadas. Os marujos se amotinaram e ameaçaram bombardear a cidade do Rio se as reivindicações não fossem aceitas e sem sofrer penalizações pelo levante. O governo federal acatou ao pedido dos revoltosos. Porém, o Governo prendeu os manifestantes e, posteriormente expulsou ou os deportou para o Acre. Muitos morreram no caminho.