segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - cap. 1 e 2 - Fim da Guerra Fria e tensões no mundo árabe

Olá turma,
esse post fecha o conteúdo da prova. É uma parte bem extensa porque, de certa forma, cobriremos acontecimentos de 1947 até 2003.
O livro didático divide os assuntos tratados nesse post, mas eu preferi juntá-los porque eles estão muito relacionados. O cap. 1 da Unid. 8 - trata mais de fatos entre EUA e URSS, assim como o fim da guerra fria e o cap. 2 aborda exclusivamente a questão judaico-palestina. Como já mencionado ambos os caps tem pontos de contato, por isso, fiz em um post e quase em ordem cronológica. Achei que seria mais fácil assim.

Vamos lá!

Nós saímos do Brasil e da ditadura militar e voltamos nossa atenção para acontecimentos mundiais. Estávamos em 1985, mas precisaremos voltar ao tempo para 1947.
Nesse momento o mundo saiu de um dos maiores conflitos já vistos na história, pois em 1945 a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim após a derrota da Alemanha nazista e do lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
É muito conhecida a perseguição e eliminação dos judeus posta em prática ao longo do conflito e a consequente comoção mundial provocada após a descoberta dos campos de concentração espalhados por vários países do continente europeu, dentre eles, o mais conhecido foi Auschwitz, na Polônia.
Dentro desse contexto de fim da guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) justamente para mediar conflitos entre as nações e tentar impedir o surgimento de novos conflitos da mesma proporção da Segunda Guerra. Foi nesse organismo multinacional - porque praticamente todos os países do mundo estão representados na ONU - ganhou força o discurso sionismo que defendia a união de todos os judeus em um Estado.
A região escolhida para a criação desse Estado foi a Palestina, de maioria muçulmana e minoria judaica e sob controle da Grã-Bretanha naquele momento. O lugar é historicamente importante para os judeus antes mesmo da dominação romana, no século II d.C. Em 1947, a ONU aprovou a divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe-palestino e em 1948 foi anunciada a criação do Estado de Israel.
Imediatamente os palestinos e os demais países árabes da região, já insatisfeitos com a divisão de territórios, entraram em conflito com o recém criado Estado. Porém, outras guerras colocaram árabes e judeus em campos opostos, em 1956, houve a Guerra de Suez, em 1967, a Guerra dos Seis Dias e, finalmente, em 1973, a Guerra do Yom-Kippur. Não comentaremos cada uma dessas guerras, mas é importante lembrar uma impactante consequência do conflito de 1973. O que todos esses embates tiveram em comum foi a gradual expansão das fronteiras de Israel sobre território palestino. (Olhem o livro na página 211 para visualizarem isso.) O mais marcante deles foi a ocupação de territórios palestinos por Israel em resposta à ação palestina no Yom-Kippur. Por outro lado, os países árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, dentre outros, aumentaram o preço do petróleo. Essa medida da OPEP ficou conhecida como o choque do petróleo e afetou a economia mundial porque o produto e seus derivados compõem diversos setores da economia e o aumento do preço levou ao aumento dos custos de produção.

Em 1979, o mundo passaria por um segundo choque do petróleo em função da Revolução Islâmica, no Irã. No mesmo ano, os xiitas - uma vertente do islamismo - derrubou o governo de Reza Pahlevi que tinha orientação mais próxima dos Estados Unidos e do Ocidente e em seu lugar foi posto o aiatolá Khomeini que proclamou a República e passou a combater as influências ocidentais no país e se distanciou dos Estados Unidos. Em resposta, os EUA deram apoio militar ao Iraque de Saddam Hussein para combater o Irã. Esse conflito ficou conhecido com Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Em resposta à ação americana a OPEP realizou mais um aumento no preço do produto, o que ocasionou o segundo choque do petróleo.

Por causa desse novo choque, os Estados Unidos no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e a Grã-Bretanha, comandada pela Margaret Thatcher (1979-1990) deram início ao desmonte do Estado de Bem Estar Social que existia desde o final da Segunda Guerra Mundial e iniciaram o neoliberalismo. Essa visão econômica defende a menor participação do Estado na economia e isso se traduziu no fim do controle dos preços pelos governos, a redução de impostos (para os empresários!), menos regulamentação na relação de trabalho, a abertura à investimentos estrangeiros e a venda de empresas públicas (privatização). 

A década de 1980 foi marcada por muitas mudanças no contexto mundial.  No plano econômico ficou constatado a gradual redução do crescimento econômicos nos EUA e Europa e adoção cada maior da política econômica neoliberal. O Brasil - e a América Latina de modo geral - entraram em forte crise econômica sem crescimento e, no nosso caso, com forte alta da inflação. Lembrem-se que eram os últimos anos da ditadura também.

Além de iniciarem o neoliberalismo, os EUA deram início também à nova corrida armamentista com a instalação de mísseis em países europeus que poderiam alcançar a URSS. Foi implantado também o programa "Guerra nas Estrelas", capaz de interceptar, pelo espaço, eventuais mísseis lançados pela URSS contra os EUA. Os soviéticos tentaram acompanhar esse nova corrida com os Estados Unidos, como fizeram nos anos 1950 e 1960, mas os tempos eram outros, e o governo e a economia soviética davam claros sinais de desgaste. Os EUA tiveram sucesso porque eram investimentos feitos praticamente pelas indústrias privadas de armamentos, enquanto na URSS os recursos vinham do Estado cada vez mais em debilitado.

 Foi justamente a situação econômica da União Soviética que motivou mudanças políticas e econômicas durante o governo de Mikhail Gorbachev (1985-1991). O objetivo principal das medidas postas em prática eram modernizar e reestruturar o Estado soviético. No entanto, consequências imprevistas se desenrolaram. Gorbachev colocou em prática a glasnost que previa o fim da censura, a liberdade religiosa e libertação dos presos políticos e o combate à corrupção e dos privilégios entranhada na alta cúpula do governo e também do Partido Comunista. Logo, tratava-se de um programa de abertura política. Ao mesmo tempo foi posta em prática a perestroika que permitia a abertura econômica para empresas e investimentos estrangeiros.
A glasnost e perestroika que buscavam modernizar a URSS acabaram decretando o seu fim. Em 1989, o famoso muro de Berlim, um dos maiores símbolos da guerra fria foi derrubado pelos próprios alemães. No ano seguinte, países como a Polônia e a Tchecoslováquia anunciaram a sua separação da União Soviética e, finalmente, 1991, diversos países declaram-se independentes. Com isso, a URSS chegou ao fim e, ao mesmo tempo a Guerra Fria.
Logo, é possível afirmar que a maior consequência da implantação das glasnost e perestroika foi o fim da União Soviética e ao mesmo tempo, no política externa, o término da Guerra Fria.

continua...

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