sábado, 22 de março de 2014

Cap. 2: "A construção da nação brasileira"

Oi pessoal,
escreverei hoje sobre o capítulo 2. Não se esqueça que na AVI vocês devem estudar os capítulos 1 e 2. Indico a leitura do caderno e do blog. Tudo que escrevi lá e aqui tem maiores chances de aparecer na prova. Se for possível, refaçam as questões que fizemos em sala sem olhar as respostas, seria um bom treino para prova.

Terminei o último post comentando o início da produção de café no Rio de Janeiro e alguns outros produtos importantes que o Brasil exportava. Hoje escreverei um pouco sobre outra importante zona produtora de café : o Oeste Paulista. Além disso, veremos algo sobre o Barão de Mauá e as transformações vividas no país a partir de 1850 e os fatores que contribuíram para o fim do Império, como a Guerra do Paraguai, o Movimento Republicano e o Movimento Abolicionista.


O Oeste paulista foi uma importante região produtora de café. Nessa localidade, havia um uso maior de tecnologia na produção de café. Além disso, assim como no Rio, foi preciso criar uma infra-estrutura para distribuir o produto em questão. Ferrovias e bancos foram criados para sustentar a produção, pois era preciso ligar as regiões produtoras de café às regiões consumidoras, seja nas cidades ou nos portos que faziam a exportação. Por isso, ferrovias foram criadas para fazer essa ligação. No entanto, para que tais obras fossem possíveis eram necessários empréstimos bancários para financiá-las.

Ainda sobre essa questão, é muito comum destacar a pessoa de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, como um grande industrialista da época. Ele era participou da criação da Companhia de Iluminação a Gás, possuía investimentos em ferrovias e ainda fundou companhias de navegação e bancos. Pode-se dizer que esse surto de industrialização foi favorecido pela criação da Tarifa Alves Branco. Essa tarifa elevava os impostos sobre produtos importados. Funcionava da seguinte maneira: se o produto importado tivesse um concorrente nacional, ou seja, se também fosse produzido no país, esse produto seria taxado em 60% do seu valor. Por outro lado, se o produto importado não fosse produzido no Brasil, ou seja, se não houvesse um concorrente, o produto seria taxado em 30% do seu valor.
Essa medida foi uma tentativa de proteger a indústria da concorrência com os produtos estrangeiros, tornando-os mais caros e não encorajava a compra do produto importado. Trata-se de uma medida protecionista.

Guerra do Paraguai (1864-1870)
De certa forma, saímos do contexto econômico e passamos para o contexto da política e da política externa. Esse conflito envolveu Brasil, Argentina e Uruguai, componentes da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Na verdade, com o desenrolar do tempo, esse conflito foi travado mesmo entre Brasil e Paraguai e nós fomos extremamente sanguinários. Foi muito comum a destruição de cidades inteiras, não foi comum fazer prisioneiros, ou matava-se todos os combatentes do outro lado ou apenas deixava com que agonizassem até a morte nos campos de batalha. Chegamos ao cúmulo de incendiar um hospital com os feridos dentro. Pois bem.

Esse conflito NÃO TEM NADA A VER COM A INTERVENÇÃO DA INGLATERRA NOS ASSUNTOS DA AMÉRICA DO SUL. Por muito tempo, foi muito comum explicar essa guerra através do seguinte modo. Dizia-se que o Paraguai estava se desenvolvendo bastante no plano social e econômico e com isso, sairia da esfera da influência da Inglaterra, diminuindo a sua dependência, a sua influência sobre o país e ameaçando os negócios ingleses. Com isso, a Inglaterra incentivou o conflito para destruir o Paraguai. PORÉM NADA DISSO É VERDADE. O Paraguai era um país agrário e as desigualdade sociais eram muito gritantes. 

O fato é que o Paraguai pretendia obter uma saída para o mar e se impor diante dos três países que formaram a Tríplice Aliança, mas fortes na política e economia, principalmente Brasil e Argentina. Por outro lado, não havia interesse dos 3 países de se envolverem em um conflito. O que explica esse embate é o contexto local que abrange os países envolvidos. 
a) O Brasil não tinha um plano militar contra o Paraguai, mas foi invadido no Mato Grosso e atacado.
b) A oposição na Argentina tinha fortes contatos com o ditador paraguaio, Solano López, fato que desagradava os governantes no poder.
c) Alguns setores político do Uruguai (os blancos) apoiavam o López.
d) o sul do Brasil era bastante vulnerável na época.

Solano López decidiu atacar esperando o apoio de setores da Argentina e Uruguai, apoio este que não veio. Pelo contrário, foi formada uma contra ofensiva sobre as tropas paraguaia, empurrando-as de volta para seu país de origem. Após os episódios de conflito no sul do país e no Uruguai, a guerra se desenvolveu basicamente em território paraguaio.

Consequências 
A Guerra do Paraguai formou em grande o Exército brasileiro. O número de pessoas na corporação aumentou bastante e houve ainda um aprimoramento na organização. Por outro lado, o conflito marcou o ponto de virada do Império, pois a partir de 1870, as críticas a esse sistema político tornariam-se cada vez maiores e frequentes.
Dentro do Exército havia a reivindicação das promessas feitas pelo Governo na tentativa de incentivar o aumento do número de combatentes, como a doação de terras, soldo (salário) e indenizações para os familiares, se houvesse necessidade. No entanto, essas promessas não foram cumpridas de fato e isto colaborou para que setores do Exército passassem a criticar a monarquia imperial. 
O conflito ajudou também a aumentar o questionamento de alguns setores da sociedade brasileira com relação ao trabalho escravo. Muitos deles foram libertos para lutar na guerra. Logo, se era possível lutar pelo país, por que não seria possível torná-los cidadãos? Incorporá-los à sociedade.

A partir daqui podemos passar para as condições que levaram ao fim do Império.
Podemos resumir em três causas: 
a) Questionamento do Exército
b) O Movimento Republicano
c) O Movimento Abolicionista

b) O posicionamento do Exércio já foi apresentado. Com relação ao Movimento Republicano podemos resumir que eles eram a favor do fim da Monarquia e defendiam a adoção do regime político republicano e  
a implantação do federalismo, concedendo mais autonomia para as Assembleias Legislativa das províncias, que se tornariam Estados no regime republicano. Em 1873, é fundado o Partido Republicano Paulista (PRP) e reunia os opositores da monarquia.

c) Como já discutimos, de fato houve uma pressão inglesa para a extinção do tráfico e do trabalho escravo desde o início do século XIX. Porém, esse fator não foi determinante para o fim do regime de trabalho escravista. Devemos sempre explicar os fatos pelos seus fatores internos. O que explicaria então o fim da escravidão?
Podemos citar que houve um aumento significativo do questionamento da escravidão ao longo do século XIX pela corrente humanitária. Além disso, o Brasil passa por transformações econômicas significativas com a introdução da produção de café. Como já disse anteriormente, foi necessário criar uma infra-estrutura, como a criação de ferrovias, para escoar a produção e com isso, os recursos que eram amplamente destinados a compra de escravos passou a ser cada vez mais utilizado para a modernização do país. Manter a escravidão após aprovação da lei Eusébio de Queiroz em 1850 tornou-se difícil e caro porque trazer escravos da África passou a ser ilegal e ainda era possível que o escravo não terminasse a viagem.

A partir dos anos de 1870 várias leis foram votadas e implantadas que buscavam limitar a escravidão no Brasil
Lei do Ventre Livre (1871): libertava os filhos das escravas. Porém, os filhos permaneciam com a mãe até os 8 anos. A partir dessa idade o senhor de escravo decidia se libertaria a criança em troca de indenização ou se o manteria prestando serviços até os 21 anos.

Na década de 1880 há uma intensificação do movimento abolicionista com a participação de profissionais liberais (como advogados) e a maior ação dos jornais e associações abolicionistas.

Lei Saraiva-Cotepige (ou Lei dos Sexagenários - 1885): Estabelecia que todos os escravos acima dos 60 anos estavam libertos. Contudo, poucos escravos chegavam a tal idade. O mais comum era que escravos urbanos, principalmente, os escravos domésticos chegassem aos 60.

Lei Áurea (1888): Estabelecia que todos os escravos eram livres, extinguindo de vez a escravidão no país.

Com a abolição da escravidão, setores influentes que apoiavam a monarquia passam a apoiar a implantação do regime republicano. Portanto, o governo imperial perde apoio. Há também uma tentativa de emendar o III Reinado no país com a abolição da escravidão. 
Não devemos esquecer que a liberdade não trouxe igualdade porque não houve por parte do governo e da sociedade um esforço de incorporar os escravos libertos. Logo, eles continuaram marginalizados da sociedade e até hoje, no país traz marcas desse tempo, porque ainda lutamos para melhorar a precária inclusão dos negros.

Não esqueçam de estudar novamente o movimento abolicionista.

Bons estudos! 

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